Plano de aula: TEMA: CULTURA E DIVERSIDADE CULTURAL

OBJETIVO GERAL:
*Transmitir para os alunos a importância da cultura e a diversidade cultural na transformação e compreensão da sociedade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
* Compreender que a cultura não é algo estático e imutável, como uma esfera que paira sobre os indivíduos, mas algo vivido nas relações sociais;

* Refletir sobre a nossa posição através do questionamento de nossa própria maneira de viver, enquanto pertencentes a grupos culturais dentre a diversidade presente no mundo contemporâneo, de forma a questionar preconceitos cujos objetos são grupos tidos como “atrasados”, “inferiores” ou “primitivos”.

METODOLOGIA:
* Aula expositiva dialogada sobre o conceito de cultura e diversidade cultural. Questionar e provocar os alunos a refletirem sobre questões como:

* O que queremos dizer quando usamos a frase: “essa pessoa tem cultura”?

* Como podemos entender cultura?

* Todas as pessoas têm cultura?

* A qual cultura nós pertencemos?

.PROCESSOS METODOLÓGICOS: Distribuir o texto do antropólogo Ralph Linton: “O cidadão norte-americano”. Com intenção de reforçar a idéia de que a cultura está em constante transformação e que diferentes grupos culturais estão em contato, por isso estamos sempre nos apropriando de elementos ou idéias que nascem em outros grupos (pode-se sugerir uma dinâmica de leitura para o texto e como trabalho, pedir para escrevam sobre o tema).

TEXTOS:
Ralph Linton, antropólogoª
O cidadão norte-americano


“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”


ª LINTON, Ralph. O homem: Uma int rodução à ant ropologia. 3ed. , São Paulo, Li vrar ia Mar t ins Editora, 1959. Ci tado em LARAIA, Roque de Bar ros. Cul tura: um concei to ant ropológico. 16ed. , Rio
de Janei ro, Jorge Zahar Edi tor , 2003, p.106-108
Texto disponível em http://www.saogabriel.pucminas.br/csociais/textos/r/ralphlinton-ocidadaonorte-americano.pdf
CULTURA



Considerações iniciais:

Certamente, a mais antiga e mais recente obra do homem é a cultura. Desde que existe como espécie até o estádio atual, ele jamais deixou de produzir. O uso das cavernas para abrigar-se das intempéries climáticas, os desenhos e pinturas feitos nas paredes desses abrigos, a fabricação de ferramentas primitivas, a descoberta de um pedaço de madeira como arma, o cultivo do solo para alimentar-se, a produção industrial automatizada, a construção de grandes edifícios, de antigas pirâmides, a realização de uma grande obra literária, a nave que vai ao espaço, o coração, o rim, o fígado e a córnea transplantados, a criação da democracia, o telefone, a televisão e o livro são algumas realizações do homem. Tudo isso é cultura. A pornografia e a religião são, também, produtos e a religião são, também, produtos da cultura humana.

Só o sentimento não é uma criação do homem. É algo inato nele. Mesmo assim, há diversas formas de se manifestar um sentimento. A vida e a morte são celebradas de formas diferentes de uma civilização para outra. O beijo na boca tem significados diversos – em alguns lugares ele tem a função de demonstrar o amor do homem pela mulher ou vice-versa; entre a população primitiva dos trobiandeses significa respeito, gratidão e admiração.

A cultura, enfim, é indefinível. Mas é a única obra perene do homem. Sem essa grande obra, o que seríamos? Não é possível imaginarmos nosso destino. Por isso, viva a bússola, viva a escrita e viva o papel. Eles orientaram o homem para o caminho certo: o caminho da comunicação. Nesse caso, viva o gesto também. Enfim, que vive o homem, para continuar criando sua obra eterna: a cultura.



CONCEITO DE CULTURA:

O termo cultura possui hoje diversos conceitos. Para se ter idéia da sua abrangência, estudiosos de diferentes áreas do conhecimento como Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, por exemplo, já dedicaram parte do seu trabalho ao estudo específico do termo sem, no entanto, chegarem a um consenso. Originalmente, esta expressão vem do latim - colere – e significa cultivar. Com os romanos, na Antigüidade, a palavra cultura foi usada pela primeira vez no sentido de destacar a educação aprimorada de uma pessoa, seu interesse pelas artes, pela ciência, filosofia, enfim, por tudo aquilo que o aspecto, a abrangência do termo tornou-se, de lá até nossos dias, cada vez maior, sendo aplicado nas mais diversas situações, ou seja, desde o plantio de um produto agrícola, do cultivo da pesca, criação de animais etc., até o trabalho cientifico realizado por pesquisadores das Universidades. A todas essas atividades, portanto, podemos aplicar o termo cultura.

Apenas para ilustrar, no Novo Dicionário de Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, aparecem nada menos que oito conceitos diferentes de cultura. De todos, vale a pena destacar o terceiro, que parece ser o mais abrangente e o mais completo – cultura é:

O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade; civilização: a cultura ocidental: a cultura dos esquimós.

Assim, e conforme o conceito acima – o que podemos entender por cultura? Cultura, quando aplicada ao nosso estilo de vida, ao convívio social, nada tem a ver com a leitura de um livro ou aprender a tocar um instrumento, por exemplo. Na realidade, o trabalho do antropólogo, estudioso da cultura humana, começa pela investigação de culturas, ou seja, pelo modo de vida, padrões de comportamento, sistema de crenças, que são característicos de cada sociedade. Em outras palavras, pode-se dizer que nenhuma sociedade, nenhum povo, seja ele atrasado ou desenvolvido, primitivo ou civilizado, jamais agirá de forma idêntica aos demais. Poderá haver, isso sim, algumas semelhanças. O monoteísmo, por exemplo, tornam semelhantes às sociedades, os povos que acreditam em um só deus. Mas assemelha-os, apenas. A forma de cultuar esse deus, seu significado, o que ele representa, enfim, todo o sistema de crenças é diferente de um povo para outro.

No Brasil, as mesmas formas de conduta e os padrões culturais mudam nitidamente de uma região para outra, embora formalmente haja unidade cultural determinada principalmente pela unicidade do idioma português e da religião católica. Na prática, porém, a situação é outra. Há uma cultura regional no Norte do nosso país, que bem caracteriza o estilo de vida do homem da Amazônia e o diferencia literalmente do habitante do Sudeste e Sul.

Não bastassem os usos e costumes diferentes, o nortista (assim como o gaúcho e o nordestino) criou algumas expressões que lhes são próprias. É o que acontece com a palavra palhaço. Enquanto no Sudeste e Sul ela é sistematicamente usada para xingar, dirigir insultos, no Norte ela mantém apenas o significado original, ou seja, o artista de circo que faz rir. Curioso notar que, nesse caso, a pessoa a quem foi dirigida a expressão fica até lisonjeada e orgulhosa por ter sido comparada a um artista.

O fato significativo, no entanto, é sabermos que jamais encontraremos duas comunidades com culturas iguais. É preciso notar que a sociedade é formada por um contingente organizado de pessoas, regidas pelo mesmo conjunto de normas e leis, que de alguma forma aprenderam a viver e a trabalhar juntas para a própria manutenção dessa sociedade. Uma cultura, por outro lado, é também um grupo organizado de padrões culturais, normas, crenças, leis naturais, convenções, entre outras coisas, em constante processo de transformação. Assim, apesar da inter-relação cultura e sociedade ser muito estreita e ininterrupta, de serem mesmo imprescindíveis uma à outra, temos de ter sempre em mente o seguinte aspecto: são duas coisas distintas que apresentam dinâmicas diferentes.

Nesses termos, é claro, nada impede, por exemplo, que a sociedade brasileira tenha uma cultura que abranja todo o seu território e, ao mesmo tempo, coexista com essa cultura a nível nacional e uma outra regional. Até porque a própria dinâmica da cultura, seu processo de transformação, permite, ao longo do curso da história, a aquisição de novos elementos e o abandono (quase sempre por desuso) de outros. Esse fenômeno é universal e tem influências no folclore de qualquer sociedade. Com o advento dos veículos de comunicação de massa, vamos notar que esse processo, em parte, tende a se se homogeneizar.

Bibliografia:

LINTON, Ralph. O homem: Uma introdução à antropologia. 3ed., São Paulo, Livraria Martins Editora, 1959. Citado em LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16ed., Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003, p.106-108

Caldas, Waldenyr. O que todo o cidadão precisa saber sobre cultura. São Paulo: Global, 1986.


Plano de aula elaborado por Paulo Brizolla, em:
http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20062_m/Paulo_Brizolla/Planejamento_das_aulas.html


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