A identidade é formada por um processo complexo de socialização. Processo esse que se dá a partir dos contatos sociais que o indivíduo vai tendo ao longo de sua vida.

O conceito "identidade" vem sendo reutilizado com grande freqüência entre as ciências humanas devido ao que tem sido chamado de "crise de identidade".

Tal crise se dá devido aos impactos da sociedade moderna sobre o indivíduo. Como Bauman bem apresentou em seu livro “Modernidade Líquida”, vivenciamos um período de grande fluidez, marcado por rápidas mutações.

Se a identidade é formada pelo contato social e este tem sido cada dia mais superficial e transitório, consequentemente haverá uma tendência de estarmos sujeitos a sermos influenciados por um número cada vez maior de tendências, a qual, devido ao rápido e superficial contato, produzirá  influência sobre nossos hábitos, gostos, preceitos, etc; porém de forma momentânea. Ao mesmo tempo em que as influências superficiais e transitórias deixam uma pequena marca em nossa personalidade, via socialização, o número de influências será cada vez maior e variada, o que nos traz a sensação de não possuirmos uma identidade. Aí está a crise.

Mas a crise é apenas um processo, também transitório da modernidade líquida. A liquidez moderna deixa uma sensação de ausência de identidade em meio a uma sociedade em rápida transformação. Mas não seria essa “metamorfose ambulante (para lembrar o Raul Seixas)” a identidade da sociedade moderna?

Eu? “Eu prefiro ser aquela metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”.

2 comentários:

  1. Legados e heranças culturais nos atravessam sem exigir necessariamente, de nós, fixações identitárias neuróticas e teritorializantes. Essas 'exigências' se dão pelos agenciamentos institucionalizados: família, nação, grupo, etc. Apesar dos legados e das heranças nos terem constituido inicialmente (nomes, propriedades, bens...) de modo algum determinam definitivamente nosso DNA identitário, i.é, nosso mito pessoal fundador não é uma 'carteira' de identidade fixa e imutável... Acho duvidoso que a 'identidade' tenha que ser o resultado, ou função, necessário/a das heranças e legados simbólicos que possuímos e que nos constituem. Mesmo a idéia de identidades processuais - identificações - me parece ainda conceder a idéia de que agem/atuam constituindo unidades coerentes e homogêneas... A idéia de identidade é ilusória, abstrata, só pode ser concebida a partir da ilusão do Ego/Eu.
    Mais do que isso, a repulsa de grupos contra outros me faz lembrar uma análise de Lacan sobre o que une a tropa: algo que é comunicado entre o grupo sem palavras, o ódio. Ele ainda diz que o significante destacado dentre outros que vai representar o sujeito ou o grupo sempre é erigido em posição de ficar contra o outro. Fixações identitárias é uma aberração sintomática que pode até falar em nome de uma união, mas é a união de uns contra outros. É verdade, não é necessário concordar, dar a razão para o outro, mas assumir uma posição subjetiva de tentar compreender as razões já é um bom sinal de saúde mental. Sempre queremos que a razão fique só de um lado, ao ponto de dizer que o louco é um sem-razão! Nunca escutaram a lógica do delírio...
    Sem dúvida, tem esse aspecto, que parece ser o desencadeador mais nuclear desse complexo - próprio de uma psicologia de grupo. Tem me intrigado a força que os grupos possuem ao exigir e impor 'identidades' e 'identificações' para se manter coeso e aplacar as angústias do indiferenciado; evitando um devir mais nômade, menos territorializado ou fixo. É algo que é dificil de se trabalhar analíticamente dentro das instituições, onde as formações subjetivas estão controladas por interesses de prestígio, poder, status, recursos, etc. - capitais venais e simbólicos de todo tipo... Parece que só se pode falar disso e analisar isso, de fora, na fronteira...

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  2. Parabéns pelo tema dessa postagem, e a imagem que ilustra o post! Convido para visitar o Blog Crisol: http://gpeculturais.blogspot.com/

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