“Sociólogo analisa o significado que os jovens atribuem às tatuagens e aos body piercings


06.02.2009, Natália Faria



Investigador lança hoje em Braga o livro “Marcas que Demarcam: Tatuagem, body piercing e culturas juvenis”, que procura traduzir o significado das tatuagens.

As tatuagens deixaram de ser privilégio de grupos marginais e transformaram-se em certificados de autenticidade num mundo em que tudo é precário e fugaz. Esta é a tese inscrita no livro “Marcas que Demarcam – Tatuagem, body piercing e culturas juvenis”, que o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira lança hoje, no âmbito do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, na Universidade do Minho, em Braga.Numa sociedade “desordenadora e rápida”, em que os jovens se sentem pressionados a desempenhar papéis que lhes são impostos (pela escola, pelos pais, por empregos precários…), o recurso às tatuagens “é uma forma de eles continuarem a ser eles próprios e de preservarem alguma originalidade”, interpreta o investigador do Instituto de Ciências Sociais, cujo trabalho de campo decorreu entre 1999 e 2003, em vários estúdios de tatuagens e body piercing de Lisboa.Não se trata de transformar o corpo num manifesto social. O que estas pessoas procuram é uma individualidade para uso próprio. “Eles sabem que, no emprego, têm que manter o corpo tapado e, portanto, não têm problemas em não tatuar do pescoço para cima, sabendo que em casa podem pôr-se em frente a um espelho e dizer ‘este é o meu corpo e ninguém tem nada a ver com isso”, descreve, sublinhando que “as tatuagens têm muito dessa reivindicação da propriedade do corpo”.
Quanto à forma como estas marcas são percepcionadas, “apesar de haver mais tolerância, estas pessoas continuam a sentir-se observadas; alguns disseram mesmo que, na vida quotidiana, só se sentem bem no Bairro Alto. É como se as tatuagens colocassem os seus corpos sob suspeita”.Mas há diferenças a assinalar. Fazer uma tatuagem não é o mesmo que colocar um piercing. “O piercing é uma questão estética, não tem o valor de permanência da tatuagem.” Do mesmo modo, experimentar uma tatuagem uma vez não é o mesmo que fazer disso um projecto de vida. “Um miúdo pode ver na tatuagem um gesto desafiador dos pais ou da escola, que são instâncias disciplinadoras dos seus corpos”, distingue Vítor Sérgio Ferreira. As tatuagens podem também funcionar como marcos autobiográficos. “Faz-se uma tatuagem quando se começa a namorar, quando se entra na universidade…”.
Nada que se possa comparar, porém, às memórias da tropa ou às frases como “Amor de mãe”. “Isso remetia para a celebração de um colectivo e qualquer pessoa reconhecia o seu sentido. Hoje, as tatuagens fazem parte do segredo da biografia do indivíduo. E quem se tatua gosta disso: de olhar para o seu corpo como para um álbum fotográfico que lhe recorda os momentos que perduram.” E, numa sociedade muito “de usar e deitar fora”, marca-se o corpo porque é “o único capital seguro, a única coisa que os acompanha desde o nascimento até à morte”.”


Uma boa sugestão de trabalho com os educandos é orientar para que eles realizem pesquisa de campo (entrevistas) a fim de identificarem os significados de símbolos utilizados por diversos grupos, como por exemplo, a roupa dos rockeiros, o desenhos dos pixadores, símbolos religiosos de alguma demonimação ou religião... fica a dica!

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