AD (728x90)

.
  • 2793 Pine St

    Os blogueiros:

    Graduado em Ciências Sociais e mestrando em Educação pela Universidade Federal de Rondônia/UNIR

  • .

  • 420 Fell St

    Os blogueiros:

    Graduado em Ciências Sociais, doutorando em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP

Abolição dos Direitos



Ano de 1888, Lei Áurea. Era abolido a escravidão. O negro agora estava livre. Livre para ir a qualquer lugar; ou talvez a lugar nenhum.

Liberto da opressão física e encarcerada dentro do abismo subumano da sociedade. Abismo que até hoje muitos estão em sua parte mais profunda. Ficaram sem o direito de ter; de ter direito.

Direito, palavra por muitos desconhecida, pois esses perderam esse direito e passaram a viver fora dos "direitos" que regem a sociedade. Foram chamados então, de ladrões; ladrões daquilo que a sociedade um dia tomou deles. Tiram dos "normais" a tranqüilidade que também, em uma época passada lhe foi tirada.

Pobres negros, literalmente pobres!

Libertos do trabalho não remunerado se depararam com um novo mundo, o do salário baixo, do cruel mundo do desemprego.

Se antes o seu trabalho lhe proporcionava apenas o direito de comer; hoje aqueles que conseguiram conquistar um trabalho, o seu salário não passa de sua mísera subsistência.
Abolição... da senzala para a favela.

Eram apenas mão-de-obra negra. E hoje são algo mais?

São sobre tudo os que mais sofrem com a discriminação. Chamados foram de marginais. Até parece que eles escolheram esta situação.

Realmente, marginais são; isso porque uma elite de hoje que chamamos de burguesia, os lançou a margem do desenvolvimento humano, social, político e econômico.

Estão à margem, vendo a história passar como um rio. E ao mesmo tempo, de fora desse processo, se vêm estagnados.

Século XXI, direitos humanos. É agora dado o direito aos homens. Os homens agora possuem direitos!

Direitos...direitos... Quais direitos?

Talvez, direito de viver a mesma história, direito de ser escravo do sistema. Direito de ser excluído, de estar, ou melhor, permanecer à margem do desenvolvimento humano, social, político e principalmente econômico.

Abolição ... Abolição...

Abolido do que?

Do direito de ter o mínimo direito.

Pobres negros, literalmente pobres!
(BODART, Cristiano das Neves. É Cientista Social)

Aula de Sociologia - Primeira semana















Sociologia:
Uma breve introdução


Pontos abordados:

O que estudar em sociologia?
O que são Fatos Sociais?

(...)
Análise da música "Quatro vezes você" dos Titãs

Se a Sociologia estuda os Fatos Sociais, como isso pode ser feito de forma científica?


•Hipótese;

•Observação;

•Experimentação (teste da hipótese).


- Exige que o pesquisador mantenha distância e neutralidade em relação aos fatos, isto é, é preciso que o sociólogo deixa seus valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado, pois a subjetividade distorce a realidade dos fatos. Deve-se encarar os fatos sociais como coisas, ou seja, objetos que, lhe sendo exteriores, deveriam ser medidos, observados e comparados independentemente do que os indivíduos envolvidos pensam a seu respeito.




Texto para reflexão - Onacirema – adaptado por Cristiano Bodart de RITOS CORPORAIS ENTRE OS NACIREMA (Horace Miner)

Nós "civilizados" possuímos a tendência de julgar o diferente como inferior, talvez por não querermos entendê-lo.
Existem, no planeta, vários povos e etnias estranhas. Uma delas é o "onacirema". Como esses são esquisitos! Realizam rituais religiosos estranhos; diariamente praticam rituais de tortura; lutam constantemente entre si e às vezes tiram a vida de seus adversários.
Veja como essa tribo é estranha. O "onacirema", ao acordar, inicia seu ritual de purificação: esfrega um objeto sobre a boca, chegando na maioria das vezes a sangrar e logo após utiliza um objeto cortante bem afiado (quanto mais afiado melhor) e passa pelo seu rosto por minutos (os menos hábeis têm seu rosto e pescoço todo cortado). Feito esse ritual, acha-se pronto para enfrentar o dia. Nessa tribo, existe uma divisão de tarefas: quanto mais peso se pega no exercício da tarefa, menor será sua recompensa, ou seja, quem trabalha menos, ganha mais.
A "anacirema" (assim é chamada a fêmea) realiza ritual para a conquista do macho. Pratica sacrifícios humanos, não de morte, mas de uma espécie de tortura. Se abstém de certos alimentos consumidos pela tribo, chegando a ficar bem a baixo do peso normal; as suas estruturas ósseas tornam-se visíveis. As que chegam a esse estado ou pelo menos próximo dele, são admiradas; já aquelas que não se torturam acabam sendo rejeitadas pelos homens da tribo.
Nessa tribo, a fêmea pinta sua face com tintas de cores fortes e com um objeto perfurante, atravessa seu corpo em vários locais (nariz, seios, sobrancelhas, orelhas, umbigo, lábios, órgão sexual...) onde pendura objetos, que segundo ela, atraem os machos. Já o "onaciremo" para atrair a fêmea, realiza três vezes na semana um ritual onde esse tortura seu próprio corpo, levantando objetos pesados por várias vezes durante, pelo menos, uma hora, chegando a derramar litros de suor. Quanto maior o sacrifício, melhor.
Em seu ritual religioso demonstram uma estranheza incrível: adoram seu deus com rituais exaustivos, chegam a andar quilômetros de joelhos carregando um peso sobre o corpo, assim acreditando eles, que terão respostas dos céus.
Nas noites de sábado, depois de todos os rituais, chega a hora de espantar de suas mentes algo parecido como um espirito ruim, adquirido nas suas tarefas diárias. Reúnem-se e ao som de uma música bem alta, começam a realizar uma espécie de dança de purificação da mente, onde acreditam que estarão libertos de um tipo de espirito.
Como essa tribo é esquisita! O "onacirema" é ou não diferente? A propósito, o nome dessa tribo foi digitado de trás para frente, mas isso não muda em nada, seja "onacirema" ou americano, são todos esquisitos.




Texto de apoio

ÉMILE DURKHEIM: o responsável em sistematizar a Sociologia (1858-1917)

Nasceu em Epinal, na França, filho de rabinos. Iniciou seus estudos na escola Normal em Paris, indo depois para a Alemanha. Embora Comte seja considerado o pai da sociologia e tenha-lhe dado esse nome, Durkheim é apontado como o primeiro grande teórico da sociologia. Sua maior preocupação foi definir com precisão o objeto, o método e as aplicações dessa nova ciência. Para ele o objeto de estudo são os fatos sociais. Distingue três características dos fatos sociais. A primeira é a coerção social, ou seja, a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformar-se às regras da sociedade em que vivem, independentemente de sua vontade e escolha. O grau de coerção dos fatos sociais se torna evidente pelas sanções a que o indivíduo estará sujeito quando se rebelar contra elas. As sanções podem ser legais ou espontâneas. Legais quando prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se estabelece a infração e a penalidade, subseqüente. Espontâneas quando afloram da decorrência de uma conduta não adaptada à estrutura do grupo ou da sociedade à qual o indivíduo pertence. A educação – de forma geral – desempenha, segundo Durkheim, uma importante tarefa nessa conformação dos indivíduos à sociedade, a ponto de, após algum tempo, as regras estarem internalizadas e transformadas em hábitos. A segunda característica dos fatos sociais é a externalidade social. Eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade ou de sua adesão consciente. A terceira é a generalidade. É social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles.

Uma vez identificados e caracterizados os fatos sociais, Durkheim procurou definir o método de conhecimento da sociologia. Para ele, como para os positivistas, a explicação científica exige que o pesquisador mantenha distância e neutralidade em relação aos fatos, isto é, é preciso que o sociólogo deixa seus valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado, pois a subjetividade distorce a realidade dos fatos. Durkheim aconselha o sociólogo a encarar os fatos sociais como coisas, ou seja, objetos que, lhe sendo exteriores, deveriam ser medidos, observados e comparados independentemente do que os indivíduos envolvidos pensam a seu respeito.


Para Durkheim, a sociologia tinha por aplicação (finalidade) não só explicar a sociedade como também encontrar soluções para a vida social. A sociedade, como todo organismo, apresenta estados normais e patológicos, isto é, saudáveis e doentios. O fato social será normal quando se encontra generalizado pela sociedade e quando desempenha alguma função importante para a evolução social (progresso). A generalidade de um fato social, isto é, sua unanimidade, é garantia de normalidade na medida em que representa o consenso social e a vontade coletiva. Partindo do princípio de que o objetivo máximo da vida social é promover a harmonia da sociedade consigo mesma e com as demais sociedades; neste caso, há “saúde” no organismo social, isto é, que não extrapola os limites dos acontecimentos mais gerais de uma sociedade. Já o estado patológico é aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente.Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, podem-se notar formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação ele chamou de “consciência coletiva”. Trata-se do “conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade”. A consciência coletiva é, de certo sentido, a forma moral vigente na sociedade.


Para Durkheim, a sociologia deveria ter ainda por objetivo comparar as diversas sociedades (aplicação). Constitui-se assim a classificação das espécies sociais. Ele considerava que todas as sociedades haviam evoluído a partir da horda: a forma mais simples, igualitária, reduzida a um único segmento onde os indivíduos se apresentam iguais. Deste princípio, originaram-se outras espécies sociais, tais como: clãs e tribos.


Ainda que preocupado com as leis gerais capazes de explicar a evolução das sociedades humanas, Durkheim ateve-se também às particularidades da sociedade em que vivia, aos mecanismos de coesão dos pequenos grupos e à formação de sentimentos comuns resultantes da convivência social. Distinguiu diferentes instâncias da vida social e seu papel na organização social, tais como: a educação, a família e a religião. Isto demonstra que, aos poucos, começa a se desenvolver na sociologia também a preocupação com o particular.


Émile Durkheim se distingue dos demais positivistas porque suas idéias ultrapassam a reflexão filosófica (especulações e não observações práticas) e chegaram a constituir um todo organizado e sistemático de pressupostos teóricos e metodológicos sobre a sociedade.

Dica de Leitura: Capitalismo, violência e terrorismo



Obra do Sociólogo Octavio Ianni.
"O que está em causa,quando se fala em mundialização, planetarização, globalização, globalidade ou globalismo, é uma ampla e profunda transformação geral, envolvendo a economia e a sociedade, a política e a cultura, a ecologia e demografia, as línguas e as religiões". (IANNI, 2004)
Ótima leitura para quem está querendo buscar compreender o mundo atual, especificamente o processo de Globalização.

Dica de Leitura: A ocidentalização do Mundo



O livro de Serge Latouche, "A Ocidentalização do Mundo" é uma obra extraordinária. A partir da análise de Latouche é possível entender o processo de Ocidentalização do mundo.
Aspectos como fluxos, colonização, aculturação/desculturação, capitalismo, cultura, homogeneização, nacionalidade, industrialização e modernização são abordados de forma crítica.
Sem dúvida se trata de uma obra obrigatória para estudiosos da Sociologia, Filosofia, Geografia e da História.
Recomendo!

Frase: Betinho




"Não cabe às ONGs brasileiras acabar com ou pretender substituir o Estado, mas colaborar para a sua democratização. Não cabe às ONGs produzir para o conjunto da sociedade os bens e serviços que o mercado não é capaz de produzir, mas propor uma nova forma de produzir e distribuir que supere os limites da lógica do capital." (Betinho)


O sociólogo brasileiro Herbert José de Sousa, mais conhecido como "Betinho", teve contato com o crime e a morte desde que nasceu, em 1935, por acompanhar o pai em seus trabalhos em penitenciárias e funerárias. Portador de hemofilia, mais tarde contraiu tuberculose na infância. Seu maior legado é a Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida, projeto responsável pelo Fome Zero. Escreveu diversas obras, especialmente relacionadas a exclusão social e cidadania.
Breve comentário:
As ONGs no período militar brasileiro eram categóricamente contra a ditadura. Havia um ideal: democratizar o país. Após a democratização, estas foram se aproximando do Estado, o qual, aos poucos, foi retirando de si as "suas" obrigações sociais e lançando sobre suas costas. Não cabe as ONGs fazer o papel do Estado, e sim colaborar para que este exerça com maior eficiência seu papel.

O Haiti - Caetano Veloso






LETRA: Haiti
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Breve comentário:
A música acima apresenta diversos enfoques possíveis.
A primeira possibilidade é analisar a discriminação racial e social;
Outra possibilidade é avaliar a noção de justiça/injustiça;
O ponto interessante para uma possível abordagem sociológica é discutir o fato de estranharmos o que é de fora, talvez por isso os compositores pensaram em falar de um Haiti que é aqui, ou seja, utilizou um lugar distante para parodiar uma realidade de ambos os países (Haiti e Brasil).

Eu vezes eu - Titãs




LETRA:
Rafaela tá trancada há dois dias no banheiro
enquanto sua mãe
toma Prosac, enche a cara
e dorme o dia inteiro
Parece muito, mas podia ser...

Carolina pinta as unhas roídas de vermelho
Em vez de estudar
fica fazendo poses
nua no espelho
Parece estranho, mas podia ser...

o que você faz quando
ninguém te vê fazendo
ou que você queria fazer
se ninguém pudesse te ver.

Gabriela e a namorada se divertem no escuro e os seus pais
acham tudo que ele faz
errado e sem futuro
É complicado, mas podia ser...

Mariana gosta de beijar outras meninas
de vez em quando beijar meninos
só pra não cair numa rotina
É diferente, mas podia ser...


Breve comentário:
A presente música nos faz lembrar que muitas ações que realizamos, as fazemos por que são fatos sociais sendo exterior a nossa vontade e coercitivas. É justamente quando estamos escondido da sociedade que fazemos o que nós mesmos escolhemos fazer. Deixamos de agir pensando na ação coletiva para sermos indivíduais. O que você faz quando ninguém te ver fazendo? Algumas coisas são até difíceis de contar, não é? Isso é uma prova que a sociedade nos impõem ações que são exteriores a nós.

Tempo Rei - Gilberto Gil




LETRA: Tempo rei (Gilberto Gil)

Não me iludo, tudo permanecerá de um jeito
Que tem sido, transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar, Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole, pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei, transformai as velhas formas do viver
Ensinai, ó Pai, o que eu ainda não sei, mãe senhora do Perpétuo socorrei
Pensamento, mesmo fundamento singular
Do ser humano, de um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas, pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo


Breve comentário:
Assim como alguns elementos naturais, como o relevo e as rochas, mesmo sendo duros se transformam ao longo do tempo devido agentes internos e externos de transformação, assim são as ideologias. Embora difíceis de serem transformadas, com o tempo vão se modificando (ou se moldando)devido a imfluências internas, ações que partem do próprio grupo, ou de ações externas, aquelas que vêm de outras sociedades. Um exemplo claro e concreto é o processo de acultração provocado pela globalização.

Até quando esperar? - Música de Plebe Rude




Letra:
Não é nossa culpa nascemos já com a benção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí onde é que está
Cadê sua fração (BIS)
Até quando esperar e cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí (...)
Até quando esperar até me ajoelhar BIS
Esperando a ajuda de Deus
Posso vigiar teu carro te pedir trocados
Engraxar seus sapatos (BIS)
Sei
Não é nossa culpa nascemos já com a tensão
Até quando esperar até me ajoelhar
Esperando a ajuda do divino Deus


Breve comentário:
Quando nascemos já encontramos os fatos sociais constituídos, os quais nos são externos,coercitivos e coletivos. Mas esse fato não impossibilita promovermos rupturas. A grande questão é que rupturas sociais geralmente são lentas e quando rápidas geram grandes pressões em favor das permanências... por isso é tão difícil mudar!

Estudo Errado - Gabriel Pensador


Estudo errado (Gabriel, o pensador)

Eu tô aqui pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra aceitar me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora tá de marcação comigo porque sempre me pega
Disfarçando, espiando, colando toda a prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu “vá pra aula” e “estude”
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpadi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada pra eu comprar mais revistinha
(do Cascão?)
Não. De mulher pelada.
A diversão é limitada
E o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada do cinema é censurada (vai pra casa pirralhada)
A rua é perigosa então eu vejo televisão (Ta lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque não sei o que é inflação – Ué não te ensinaram?- Não.
A maioria das matérias que eles dão eu acho inúltil
Em vão, pouco interessantes eu fico puto
Tô cansado de estudar, de madrugar que sacrilégio (vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição, não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom, mas tirei dez (boa filhão)
Quase tudo que aprendi, amanhã já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi

Decoreba: esse é o método de ensino eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o “porquê” é o segredo
Então quando eu não entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema põe um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saia da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste – O que é a corrupção?
Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula “Hoje eu tô feliz” (matou o presidente? Não. A aula.)
Matei a aula porque não dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse não é o valor que um aluno merecia), Iiih...Sujo (Hein?)
O inspetor! (Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era o meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pro meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro um dez é sempre a mesma palhaçada

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem, tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição, não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom, mas tirei dez (boa filhão!)

Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como negócio onde a ganância, a exploração e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim cês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já estou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...


Breve análise da música:

1ª parte: Indaga sobre a importância de estudar.
2ª parte: É efetuada uma critica a falta de consciência política.
3ª parte: falta de orientação dos alunos em relação à importância das matérias.
4ª parte: Critica o método alienante do Sistema de Educacional. Não existe um “porquê” de aprender, mas sim um “dever” de aprender.
5ª parte: Crítica a falta de relação, pelo menos aos olhos do aluno, entre conteúdo e mundo extra-escolar.
6ª parte: O autor sugere uma inovação no sistema de ensino.

Determinantemente o Sistema de Ensino deve ser repensado. Nesse contexto a Sociologia é de suma importância.

…………….

…………….

…………….

…………….

…………….

…………….

…………….

…………….

© 2013 Café com Sociologia.com. All rights resevered. Designed by Templateism