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NOTA DE REPÚDIO À MÁ FÉ DO GOVERNADOR GERALDO ALCKIMIN (PSDB) EM RELAÇÃO À SOCIOLOGIA


(DES)PREZADO GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN (PSDB),

Nós, editores do Blog Café com Sociologia, vimos por meio dessa nota manifestar nosso repúdio a sua má fé. Não repudiamos apenas a sua crítica à FAPESP quanto aos investimentos daquele órgão em pesquisas de Sociologia, mas sua cínica incompreensão de que graças a Sociologia, e as demais Ciências Humanas, que seus argumentos não são facilmente “engolidos sem serem mastigados” por uma parcela significativa da população. Vide os estudantes da Rede Estadual de Ensino Médio que não aceitaram pacificamente seu “engodo” revestido de “restruturação da Rede Educacional”.

Repudiamos a sua má fé, porque sabemos que o senhor tem ciência de que a Sociologia é uma ameaça a suas ações politicas [preferimos, no seu caso, o termo politicagem] e suas propostas descabidas. O senhor sabe o qual útil tem sido a Sociologia nas mãos de marqueteiros políticos, mas deseja que esse saber esteja distante do “homem comum”, pois isso seria uma ameaça aos planos de muitos políticos profissionais como o senhor. Sem falar de pesquisas que tomam seu governo como objeto de estudo, não é (des)governador? 

Não vamos escrever um texto com profundidade sociológica para lhe repudiar. Usamos aqui, com muito prazer, um ditado popular: senhor (des)governador, “vai ver se estamos na esquina!” 

Ops! Não na esquina, mas no seu pé. O conhecimento sociológico estará, para sua infelicidade, sempre à serviço do esclarecimento dos fenômenos sociais, inclusive dos (des)mandos políticos. E não adiantará o senhor atacá-la como forma de defender seus interesses. Estaremos bem próximos... no seu pé.


Editores do Blog Café com Sociologia
Cristiano das Neves Bodart – doutor em Sociologia/USP
Roniel Sampaio da Silva – mestre em Educação/UNIR





Curso imperdível ministrado pelo grande pensador Michael Löwy [marxismo e religião]



Postado por Cristiano das Neves Bodart

Em 2014, quando cursava o doutorado em Sociologia pela USP tive o prazer de participar do curso "Sociologia marxista da Religião", ministrado por Michael Löwy no curso de pós-graduação em sociologia da USP e viabilizado pelo Programa Escola de Altos Estudos da CAPES. A Boitempo, no ano passado [2015], disponibilizou no Youtube o curso e só agora tive conhecimento de tal divulgação. É com prazer que compartilho com nossos leitores esse curso enriquecedor.


"◥ OBJETIVO DO CURSO
O objetivo deste curso é apresentar alguns autores importantes da sociologia marxista da religião, dando particular enfase à cientistas sociais que geralmente não são considerados como "sociólogos da religião". A reflexão marxista sobre a religião não pode ser reduzia a clássica fórmula "o ópio do povo". Não só os escritos de Marx e Engels sugerem uma visão bem mais rica e complexa dos fatos religiosos, mas existe uma grande diversidade de enfoques, com um caráter interdisciplinar, na nebulosa do pensamento marxista do 20.
Este é um aspecto geralmente ignorado nos programas de sociologia da religião, mas também nos estudos sobre a historia do pensamento marxista. Vários dos autores aqui discutidos são marxistas "heterodoxos" e suas interpretações de fenômenos religiosos são bastante inovadores em relação aos "clássicos", mesmo se ha uma continuidade ao nível metodológico. Serão abordados tanto objetos que geralmente não são considerados como "religiosos" (por exemplo, o capitalismo), assim como fatos que fazem parte do repertorio tradicional das ciências sociais da religião (milenarismos)" (BOITEMPO).


Abaixo estão as quatro aulas:



















Para parar de dizer que globalização é a interligação e a troca de cultura entre todos os países




Globalização: para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e intercâmbios culturais
Por Cristiano das Neves Bodart

A globalização é um fenômeno que marca nosso tempo. Isso é indiscutível. Discutível é o termo usado para designar esse fenômeno.

Ao usarmos a expressão “globalização” ou “aldeia global” estamos fazendo alusão à ideia de que o mundo tornou-se menor, seus cantos mais acessíveis e marcados por trocas de bens materiais e imateriais em um fluxo nunca visto antes; assim como idealizamos que os países se influenciam mutualmente. Em parte isso é verdadeiro. Digo em parte porque a ideia de que existe uma troca entre as nações é um tanto exagerada. O que existe, em muitos casos, é uma imposição da cultura ocidental sobre os demais países do mundo. Por isso a expressão “ocidentalização do mundo” utilizada por Serge Latouche, em 1989, na obra "L’occodentalisation du Monde".

O conceito de “Ocidentalização do Mundo” desenvolvida por Latouche (1989) nos fornece caminhos interpretativos do fenômeno que recorrentemente chamamos de globalização. Para Latouche (e nisso estamos de acordo), o que existe é uma imposição da cultura europeia sobre as demais regiões do globo; fenômeno que teve origem ainda nas primeiras Cruzadas, no século XI, sendo ampliada nos séculos XV e XVI, com as Grande Navegações - que culminaram com a descoberta de novas terras - e aprofundada no final do século XX, sendo agora chamada de Globalização.

Tanto nas Cruzadas, nas Grandes Navegações, quanto no fenômeno conhecido como globalização, o que observamos é uma imposição de hábitos culturais e não uma troca simétrica. É certo que no contato como outros grupos sociais acabamos sendo, em alguma medida, influenciados por esses. Alguns hábitos dos índios americanos certamente foram incorporados pelos europeus, porém não tão claramente como no sentido contrário. No caso dos índios americanos, quase todos passaram pelo processo de aculturação, caracterizado pela imposição de uma nova cultura: a europeia.

Atualmente, o processo de aculturação continua em curso. À todo tempo somos influenciados pela cultura europeia – muitas vezes via Estados Unidos da América. Bastamos olhar para as últimas tendências da moda. O quanto o Camboja influencia a cultura francesa? E o inverso? Temos uma troca de hábitos culturais ou trata-se de um caminho quase que de mão-única?

Frente a essa atual tendência de aculturação constantes, sobretudo nos hábitos culturais, nos vêm a pergunta: por que isso ocorre? Uma palavra me parece bastante completa para tal indagação: poder. Outrora, poder religioso e, posteriormente, poder econômico. Em tempos de globalização, a aculturação, ou padronização da cultura acaba padronizando, igualmente, os hábitos de consumo. Uma vez o consumo padronizado, torna-se possível as grandes empresas venderam seus produtos para todos os cantos do mundo, obtendo de forma mais fácil e eficiente poder econômico .


Com o advento do capitalismo e sua busca pela maximização do lucro, o objetivo dos “homens poderosos” passou a ser a ampliação dos lucros, o que se dá via ampliação do mercado consumidor. Em um mundo “mais igual” é muito mais fácil e barato ofertar os seus produtos por todos os cantos do mundo. Os benefícios da globalização, tais como a facilidade de deslocamento de passageiros e a maior informação é uma realidade, mas sobretudo de mercadorias.

O fenômeno está ai. Resta-nos compreende-lo para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e intercâmbios culturais. Não há troca simétrica, o que temos é a imposição de certos valores sobre outros.

Como citar esse texto:
BODART, Cristiano das Neves. Globalização: para além da mera ideia de um mundo interligado, de trocas e intercâmbios culturais. Blog Café com Sociologia. 2016. Disponível em: endereço aqui. Acesso em: dia, mês, ano.













Entenda como o PT vai continuar no jogo



Prognósticos possíveis num cenário pós-impeachment

Por Roniel Sampaio Silva

De agora em diante teremos carta branca para pautas ainda mais reacionárias sendo feitas sob alegação de falta de austeridade do governo petista. Ora se tem uma coisa que Dilma nunca deixou de ser foi austera, uma austeridade ruim.

Vencedor das canecas recebe prêmio em casa



O vencedor do último do nosso último sorteio,  Edilson Sje, recebeu na sua casa as três dos clássicos da Sociologia.  Os brindes são fruto da parceria Toni D'Agostinho e Café com Sociologia. 

Escola é lugar de discutir Gênero e Religião? Chamada de trabalhos para simpósio internacional.

Prorrogado para 01 de maio de 2016 o envio de resumos!

Religião e gênero se discute na escola? O GT propõe uma discussão em torno de questões como essa!

Estão abertas a chamada de trabalhos para serem apresentados no II Simpósio Internacional de História das Religiões / XV Simpósio Nacional de História das Religiões / II Simpósio Sul de História das Religiões, realizado pela Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR), que acontecerá na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Ilha de Santa Catarina, situada na cidade de Florianópolis entre 25 e 28 de julho de 2016, com Pós-Evento no dia 29 de julho.


Os coordenadores Marcelo Pinheiro Cigales (UFSC) e Cristiano das Neves Bodart (USP), bem como os avaliadores Antonio Alberto Brunetta (UFSC) Radamés de Mesquita Rogério (UEPI) convidam os interessados a submeterem propostas de trabalhos ao GT 67 - Religião, gênero e Ensino de Sociologia.


Resumo de apresentação do GT: O ensino de sociologia se constituiu como um campo de pesquisa na última década no Brasil, o que se observa pelo aumento significativo da temática em dossiês, congressos e pesquisas na pós-graduação. Paralelamente, a disciplina de sociologia vem se firmando no Ensino Médio devido sua obrigatoriedade e consequente inclusão no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Sua presença no Ensino Médio suscita uma ampliação do debate em torno das temáticas sobre religião e gênero, sobretudo sob a abordagem da tolerância e do respeito. Nesse sentido, este GT propõe criar um espaço de diálogo e divulgação de pesquisas que possuem como foco a “Religião, Gênero e o Ensino de Sociologia” e suas interfaces tais como: religião e políticas educacionais; religião e gênero nos livros didáticos de Sociologia; religião e história da Sociologia; laicidade e educação; pensamento social, direitos humanos e educação.


A data de envio das propostas de comunicação oral e poster é até o dia 10 de abril 01 e maio de 2016 (data prorrogada).

CRONOGRAMA

01 de maio. Submissão de resumos com propostas de Comunicação Oral em GT ou Apresentação de Pôster em GT
13 de maio - Resultado das sibmissões

Mais informações no site do evento, em: http://www.simposio.abhr.org.br/Apresentacao










Sorteio do livro "Trabalhadores Exilados: a saga de brasileiros forçados a partir (1964-1985)"


SORTEIO de livro e dica de leitura

Estou lendo o livro "Trabalhadores Exilados: a saga de brasileiros forçados a partir (1964-1985)" de Mazé Torquato Chotil. Trata-se de uma pesquisa fruto de seu pós-doutorado em Ciências Sociais na École des hautes études en sciences sociales, em Paris.

Por meio de parceria entre o Blog Café com Sociologia e a Editora Prisma, estaremos sorteando no dia 09 de maio um exemplar desse livro. O ganhador receberá em casa sem nenhum custo. Para participar do sorteio compartilhar essa postagem do perfil do facebook de forma pública e se inscrever no LINK DO SORTEIO em: https://blogccsociologia.typeform.com/to/JAHZcM

(ver regras mais abaixo)

Trata-se uma obra rica em detalhes sobre o banimento de brasileiros do território nacional, pelos militares, evidenciando-o como processo violento.

O foco de estudo são as trajetórias dos exilados em suas muitas facetas, destacando suas experiências de vida, o modo como se incluíram no novo país e como se deu a ação política que os levaram a serem expulsos. 

Leitura interessante e importante para compreendermos a Ditadura Militar e seus desbobramentos.

Mais informações do livro:
Editora Prismas
Ano 2016

Onde comprar o livro:
http://www.editoraprismas.com.br/produto/7814670/Trabalhadores-Exilados-A-saga-de-brasileiros-forcados-a-partir-1964-1985

…………………………………….

Concorrer ao livro é muito simples, basta indicar seu nome e e-mail no link indicado e compartilhar na sua conta de facebook essa postagem.

LINK PARA INSCREVER-SE NO SORTEIO

Regulamento do sorteio:

1- Endereços de emails repetidos ou duplicados serão desconsiderados. Cadastre apenas endereços de emails  válidos;

2- Compartilhe na sua conta do Facebook essa postagem;

3- O contato será feito unicamente por email e a divulgação do vencedor está condicionado ao retorno do selecionado também por email;

4- Feito o sorteio, o selecionado terá 24 horas para responder a mensagem.  Caso não responda no prazo, será selecionado um novo endereço de email o qual será novamente contactado;

5- Só será considerado vencedor o selecionado que responder ao contato feito pela equipe do Café com Sociologia dentro do prazo indicado. Na ocasião, o vencedor deve indicar o endereço de entrega e nome completo para o envio;

6- O sorteio ocorrerá dia 09/05 às 23:00 hrs (horário de Brasília);

7- O sorteio será feito por meio do site https://blogccsociologia.typeform.com/to/JAHZcM

8- O livro e o frete é uma cortesia da Editora Prisma

9-  O livro apenas será enviado para endereços no Brasil;


10-  O vencedor se compromete enviar uma fotografia junto ao livro aos editores do Blog para fins de Divulgação posterior do resultado;


Boa sorte!


Dinâmica do contra ou a favor: ajudando a superar o dogmatismo político

Por Roniel Sampaio Silva

1- Problema
Progressivamente o país tem se polarizado em opiniões e posicionamentos extremamente dogmáticos. Muitas pessoas imunizam suas conclusões sem validar as premissas tendo em vista tão somente o posicionamento político do grupo o qual elas têm mais afinidade. Como consequência, temos a criação de “guetos políticos” formados por pessoas que não crescem intelectualmente porque não estão dispostas a conhecer outras fontes de informação para (re)validar seus posicionamentos. Posições dogmáticas ou inflexíveis andam de mãos dadas com a intolerância que gera violência. 

2- Objetivo:
Problematizar vários posicionamentos políticos a partir de arguição política improvisada e criar uma situação bem humorada que faça o indivíduo conhecer diversos posicionamentos sobre um assunto tido como polêmico ou dogmático.

3- Metodologia:
3.1- A partir de um conteúdo previamente estudado, escolha um assunto correlato que possibilite posicionamentos polêmicos. A título de exemplo desta atividade vou propor que após trabalhar o conteúdo “instituições políticas” o professor selecione pautas da reforma política para utilizar na atividade.
3.2- Preferencialmente selecione posicionamentos no qual seja possível estabelecer um posicionamento claro, “contra” ou a “favor”. Tenha o cuidado de organizar a dinâmica por temas específicos. Evite pautas com temas que não foram estudados para não tornar a dinâmica pobre e evite mais de um tema para que a atividade não fique confusa. Você pode pensar em pautas organizadas por conteúdos: Política, Cultura, Gênero e Religião. Todos estes conteúdos são muito ricos em pautas polêmicas. Apenas tenha o cuidado de ser o mais específico possível.
3.3- A fim de enriquecer o debate, disponibilize alguns textos e fontes que aborde o tema das mais variadas perspectivas, contra ou a favor. O aluno pode utilizar outras referências, livros, pesquisa pela internet, porém o material disponibilizado pelo professor será a referência básica sobre o assunto. Caso não seja possível disponibilizar textos complementares, peça que os alunos fundamente-se no livro didático e em outras fontes as quais julguem necessário.
3.4- Explique a metodologia, avaliação e sistemática com pelo menos uma semana de antecedência e peça para que os alunos se estudem para a dinâmica. A avaliação pode basear-se na flexibilidade, improviso e nos argumentos fundamentados cientificamente.
3.5- Selecione as pautas dentro assunto as quais os alunos irão precisar se posicionar.
                        3.5.1- Pautas da Reforma política
                        3.5.1.1- Financiamento empresarial
                        3.5.1.2- Voto distrital
                        3.5.1.3- Parlamentarismo
                        3.5.1.4- Presidencialismo
                        3.5.1.5- Cotas para mulheres no Congresso
3.6- No dia da apresentação leve uma placa com os inscritos “A favor” e “Contra”, sorteie as pautas previamente divulgadas.  Cada aluno terá 5 minutos para posicionar-se e no momento que a placa mudar o discurso do aluno deve adequar-se ao que diz a placa. O professor deve ter a sensibilidade de descobrir qual o posicionamento do aluno para força-lo a pensar em argumentos contrários aos seus.
3.7- Anote todas as observações pertinentes e revise o assunto com base no que foi comentado pelos alunos.

4- Avaliação
Lembre-se que os critérios de avaliação flexibilidade, improviso, fundamentação dos argumentos.

5- Encerramento
Explique a importância do exercício da alteridade, de enxergar as múltiplas dimensões de um objeto e como a sociologia pode ajudar a problematizar vários pontos de vista sobre um assunto. Assim, seus alunos estarão a caminho de amadurecer intelectualmente e certamente vai ficar mais fácil fugir das armadilhas da polarização tão comum do nosso tempo.




Cinco técnicas de Ensino que o professor deve saber!!



Educação , como quase todas as outras áreas da nossa sociedade tem evoluído a passos largos nos últimos anos. As técnicas de ensino tradicionais, baseadas no processo em que o professor explica e os alunos tomam notas, estão defazadas. O processo de educação hoje em dia gira em torno de incentivar os alunos a despertar a sua curiosidade e o desejo de aprender. Seguindo essa tendência , surgiram novas técnicas de ensino e todas aliadas ao uso das novas tecnologias.

A difícil tarefa de criticar

A difícil tarefa de criticar

Por Cristiano das Neves Bodart

“Criticar é fácil, difícil é fazer!” Essa frase é muito utilizada como sendo completamente verdade, quando não o é. Por outro lado não presenciamos frases do tipo "elogiar é fácil, difícil é fazer uma crítica".

Fazer, dependendo do que seja, pode ser realmente difícil, mas criticar também não é nada fácil. Elogiar já é bem fácil, pois não é necessário conhecimento de causa e nem cria desconforto.

Primeiramente, é necessário deixar claro do que estamos tratando, no caso, o que seria uma “critica”? A palavra crítica é de origem grega e que vem de Kritikos. Esta refere-se a alguém que está "apto a fazer um julgamento”. No Português, o adjetivo "crítico" tem uma origem direta da palavra "crise". Nos momentos de crise, existe um sentimento de incertezas, onde passamos a julgar toda a realidade aparente. Ser crítico é justamente julgar as aparências, as informações recebidas, a contestar, a buscar saber “dos porquês”? Para que? Onde? Como? Para quem? Enfim, é buscar compreender o mundo que nos cerca, para que possamos atuar plenamente sobre ele. Criticar não é emitir julgamentos vazios. Trata-se de apresentar elementos que colocam as “verdades” à prova. Isso sim é criticar, o resto é "falar mal" ou coisa do tipo.

Dito isto, não me parece fácil estar apto a julgar, pois demanda pelo menos duas coisas: conhecimento e coragem. Conhecimento para ir à raiz das coisas e analisar com profundidade, para então emitir um julgamento racional. Coragem para sair do conforto das certezas. Coragem para fazer frente ao senso comum; o que demanda conflito e desconforto.

Fazer, muitas vezes é mais fácil do que criticar. Fazer o que sempre foi feito, o que não altera a ordem das coisas é mais cômodo do que se pôr à frente do status quo e questioná-lo.

É preciso coragem para dizer que existem outros mundos de possibilidades para além de nossas cômodas vidas cotidianas. É preciso conhecimento para voltar-se para as “incertezas que o mundo nos apresenta fora da caverna”, dando às costas as “sombras das falsas certezas”. 

Lembre-se, criticar é se opor, logo, é sair à batalha. O elogio é mais fácil e cômodo, sobretudo em uma sociedade que preza pelo jeito cordial de ser “à lá Holanda”.

Elogiar é fácil, difícil é criticar!










O que é cidadania?

Em resumo, podemos entender a cidadania como toda prática que envolve reivindicação, interesse pela coletividade, organização de associações, luta pela qualidade de vida, seja na família, no bairro, no trabalho, ou na escola. Ela implica um aprendizado contínuo, uma mudança de conduta diante da sociedade de consumo que coloca o indivíduo como competidor pelos bens da produção capitalista.

Sorteio do livro Conversas com um Jovem Professor - Leandro Karnal

Devido ao grande sucesso do texto do professor Leandro Karnal a Editora Contexto e o Blog Café com Sociologia lançaram o sorteio de 01 exemplar do livro "Conversas de Um jovem professor". 

Oferecimento: Blog Café com Sociologia e Editora Contexto.


Ao contrário do que você pensava, a doutrina socialista foi(é) triunfante!



Ao contrário do que te contaram, a doutrina socialista foi(é) triunfante!
Por Cristiano das Neves Bodart

É comum o argumento simplista de que “o socialismo não deu certo”. Sob certa perspectiva, mais crítica e menos simplista, essa assertiva é equivocada. O socialismo, sob uma perspectiva mais ampla, é uma doutrina triunfante. 

Alguns argumentarão: mas como é triunfante se não deu certo na Ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ex-URSS)! Ou ainda dirão: Veja as condições atuais de Cuba e Coréia do Norte! Esses argumentos são simplistas e, por sua simplificação, reduz o socialismo à regimes políticos e práticas de governos ditatoriais que foram colocados em práticas a partir de concepções diferentes (inclusive bem diverso da proposta marxiana), não o compreendendo enquanto doutrina.

Olhando o socialismo como doutrina, notamos que este triunfou, não como muitos socialistas desejavam, mas triunfou em questões de grande importância para a classe trabalhadora. Como disse certa vez o sociólogo Antonio Candido, “o que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”*.

Compartilho com Antonio Candido de que o socialismo são “todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado”.

O socialismo, sob essa perspectiva, é, como afirmou Candido, o irmão gêmeo do capitalismo. Surgiram juntos, na Revolução Industrial, e percorreram a história moderna lado a lado. O Capitalismo da Primeira Revolução Industrial deu origem ao operário de fábrica, assalariado, explorado e, muitas vezes, castigado fisicamente. É nesse mesmo contexto de ampliação do sofrimento e exploração do operário, fruto do objetivo genuíno capitalista, que desenvolveu-se as diversas tendências que lutavam contra a exploração e expropriação do trabalhador, o que veio a ser classificado/conhecido como socialismo em suas diversas tendências/tipos.

O que hoje se pregoa como “face humana do capitalismo” é o triunfo do socialismo. A face do capitalismo é baseado na mais-valia, na apropriação do trabalho de outrem, da exploração que viabiliza o acúmulo de capital e maximiza as desigualdades sociais. As conquistas sociais e trabalhistas não foram conquistas do capitalismo, mas conquistas socialistas que, com muitas lutas, foram minando a estrutura capitalista. Assim, a jornada de trabalho reduziu, instituiu-se um salário mínimo, férias, 13º salário, licença maternidade, justificativa de falta por meio de atestado médico, etc. Eis elementos socialistas que minaram o capitalismo. Ou você acredita que são conquistas do capitalismo? Como disse Antonio Candido*, 
“O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias... tudo é conquista do socialismo.”
As conquistas trabalhistas no interior dos países europeus, por exemplo, deu-se a partir de lutas fomentadas pelos ideais de igualdade, as quais são princípios socialistas. Suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas e onde isso não vem ocorrendo de forma mais ampla, as condições de vida da maior parte da população são lamentáveis. O socialismo precisa avançar ainda mais. Não estou me referindo a nos tornar um país de regime socialista (sobretudo destes que têm por aí), mas os ideais socialistas de igualdade devem minar a lógica capitalista rumo a um mundo menos desigual e mais justo.

Nesse sentido e sob essa perspectiva, o Socialismo vai avançando... vai mimando o capitalismo de tal forma que muitos direitos trabalhistas já são amplamente reconhecidos. Antes clamar por melhores condições trabalhistas era coisa de “comunista”, hoje nem tanto. E o socialismo vai mimando também a percepção da sociedade... quem sabe há uma luz no fim do túnel? 



*Entrevista publicada originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.



Sociologia e Música: a dominação masculina e a coisificação da mulher


Sociologia e Música: a dominação masculina
Por Cristiano das Neves Bodart

O uso de músicas em sala de aula é um recurso que em dadas condições dá muito certo. Seja para introduzir uma discussão, coletando a perspectiva e os preconceitos dos alunos, seja para checar após dado um conteúdo o que os alunos compreenderam sobre o tema abordado. Há algum tempo publiquei um artigo sobre o uso de músicas na sala de aula que pode ser acessado AQUI.

Nessa postagem apresento uma sugestão de música que nos possibilita abordar duas temáticas correlacionadas, são elas:


  • A dominação masculina (relações de gênero);
  • A coisificação da mulher.

Estou referimos à música de Clarice Falção, "Eu sou problema meu".


Segue a letra e o áudio:



Música: "Eu sou problema meu"
Autora e compositora: Clarice Falção

Não sei de ninguém que me vendeu
Por dois camelos pra você
E num negócio armado no meio da rua
Nem cartório algum reconheceu
Um documento que explicita
Em papel que legalmente
Eu sou sua

Quando eu disse sim aquela hora
Eu disse sim aquela hora
Eu não disse sim pra todo eternidade
Eu não sei se você tá por fora
Mas eu não tenho registro
Compra e venda feito uma propriedade pessoal

Não me leve a mal
Mas você não me têm
Eu não sou um chapéu
No armário de alguém
Não valho um real
Também não valho cem
Eu sou problema meu

Eu nasci pessoa gente
Eu não nasci coisa
Eu não sou brinde de criança
Nem presente de natal
Não me espere aí na sua estante
Nem agora nem por três vezes sem juros
Nem o seu cheque especial

Não me leve a mal
Mas você não me têm
Eu não sou um chapéu
No armário de alguém
Não valho um real
Também não valho cem
Eu sou problema meu

Eu sou problema meu




Para entender de uma vez o que é Tipo Ideal e Coxinha


O Tipo Ideal de Max Weber
Por Cristiano das Neves Bodart

Um termo muito usado recentemente nos ajuda a compreender o conceito de Tipo Ideal, de Max Weber*. Trata-se do termo "Coxinha". 

Quando adjetivamos alguém de "Coxinha" estamos pensando em um conjunto de características que os compõem, uma espécie de modelo padronizado, ainda quem ninguém possua todas essas características (voltaremos depois ao "Coxinha").

De acordo com Weber, para que o sociólogo possa analisar uma dada situação social, principalmente quando se trata de generalizações, torna-se necessário criar um "TIPO IDEAL", que será um instrumento que orientará a investigação e a ação do ator, como uma espécie de modelo ou tipo.

"Um conceito ideal é normalmente uma simplificação e generalização da realidade. Partindo desse modelo, é possível analisar diversos fatos reais como desvios do ideal: Tais construções […] permitem-nos ver se, em traços particulares ou em seu caráter total, os fenômenos se aproximam de uma de nossas construções, determinar o grau de aproximação do fenômeno histórico e o tipo construído teoricamente. Sob esse aspecto, a construção é simplesmente um recurso técnico que facilita uma disposição e terminologia mais lúcidas" (WEBER, apud BARBOSA; QUINTANEIRO, 2002, p.113).



O tipo ideal refere-se a uma construção mental da realidade, onde o pesquisador seleciona um certo número de característica do objeto em estudo, a fim de, construir um "todo tangível", ou seja, um TIPO. Esse tipo será muito útil para classificar os objetos de estudo. Por exemplo, quando pensamos no "coxinha" temos em mente um conjunto de características em nossa mente dando origem a um todo idealizado (o Tipo Ideal).



O objetivo de Weber, ao utilizar o recurso "Tipo Ideal", não é de esgotar todas possibilidades das interpretações da realidade empírica, apenas criar um instrumento teórico analítico. Exemplos de tipo ideal são o "homem cordial", em Sérgio Buarque de Holanda, e o "Coxinha". 



"Um constructo de tipo ideal cumpre duas funções básicas: i) fornece um caso limitativo com o qual os fenômenos concretos podem ser contrastados; um conceito inequívoco que facilita a classificação e a comparação; ii) assim, serve de esquema para generalizações de tipo (...) que, por sua vez, servem ao objetivo final da análise do tipo ideal: a explicação causal dos acontecimentos históricos "(MONTEIRO; CARDOSO, 2002, p. 14).
O conceito de Coxinha se enquadra como um tipo ideal, algo muito próximo ao estereótipo, porém com objetivos analíticos e características mais próximas do real quanto possível. 

Por meio da música "Classe Média, de Max Gonzaga, é possível identificarmos características que supostamente seria de um "Coxinha".



Letra da música:

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no "jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida





* É importante destacar que Max Weber nunca tratou o conceito de coxinha e certamente usaria outros exemplos para destacar o que seria Tipo Ideal, sobretudo por questões de posicionamentos ideológicos, ainda que ele  defendesse a neutralidade axiológica (coisa que os coxinhas ainda acreditam rsrs).



Ganhador de três "canecas sociológicas"! Tem mais sorteios vindo por aí. Fique de olho no blog!




O ganhador das três canecas personalizadas com os três clássicos da Sociologia desenhado pelo cartunista Toni D’Agostinho foi: Edilson Sje*



O ganhador não vai pagar nada por isso! Irá receber em casa suas canecas! Legal, não é?

O blog estará divulgando nos próximos dias os novos sorteios para você se inscrever e concorrer! Fique atento!

Interessados podem conhecer o site de venda de canecas e pôsteres do cartunista Toni D’Agostinho acessem AQUI   




*O sorteado seguiu os passos corretamente da inscrição. Estamos entrando em contato para que possamos encaminhar as canecas para sua residência.





Para entender o momento histórico: Golpe de 1964 e o ensaio de 2016


O que a história do Brasil nos ensina sobre o segundo mandato Dilma?
Por Roniel Sampaio Silva

O atual momento histórico remonta ao ano de 1961. Naquele momento Brizola e outros encamparam a Campanha da Legalidade, um movimento civil e político o qual tinha por finalidade garantir a governabilidade do presidente Jango, mesmo não sendo seu aliado político. Contrariando a Constituição, a imprensa, setores políticos, os EUA e setores empresariais fomentaram um clima de instabilidade social e política desrespeitando a Constituição, buscando impedir a posse e limitar os poderes do presidente eleito. Jango assumia a Presidência em razão da renúncia de Jânio Quadros (1961). O clima de instabilidade política culminou no Golpe Militar. A História se repetirá como tragédia em 2016?

Em 2016 a História parece se repetir como farsa. A mesma instabilidade social e política é criada para que o Legislativo aprove retrocessos. A  grande mídia tem centrado fogo em um grupo político e incitando o judiciário e a Polícia Federal a atacar um grupo político e poupar outros. Cunha, Aécio e Calheiros estão sendo poupados flagrantemente, mesmo havendo provas contra eles. A obstinação em centrar fogo em um único grupo político é tamanha que a Constituição está sendo desrespeitada: Grampos ilegais, falsificação de documentos, atropelamento de competência e abuso de poder. Vale a pena abrir mão da ordem constitucional para tirar um partido do poder?

Não é possível concluir, até o momento, que Lula cometeu crime. Essa é a conclusão do próprio Juiz Sérgio Moro quem até o momento diz não haver nenhuma prova contra o ex-presidente. É importante nos atentarmos que não dá pra afirmar se alguém é culpado ou inocente até que se encerre as investigações.

A estratégia da operação Lava-Jato é concentrar a investigação em um partido político e, em especial, em dois nomes. O Partido: PT. Os nomes: Lula e Dilma. Os objetivos parece cada vez mais claro: não é combater a corrupção e sim aos dois. Se assim não fosse, todos seriam indiciados conforme a força das provas contra eles. Aécio, Cunha e Calheiros possivelmente já estariam presos.  Os objetivos de centrar fogo em dois nomes é bem claro: 1- cassar Dilma e 2- evitar a eleição de Lula.  É difícil negar que há um seletividade orientada por um interesse político partidário.
Como consequência disso, temos um executivo atônito que aprova os retrocessos numa tentativa de sobreviver, nada mais consegue fazer além de preservar sua própria manutenção em uma corda bamba, seriamente ameaçada, como em 1961.
Não importa quem vença, se oposição ou situação. O que não podemos perder é a ordem constitucional. Não vale a pena abrir mão da Constituição para tirar um ou outro partido do poder, principalmente quando essa transgressão é encabeçada por setores como FIESP e setores midiáticos os quais foram os mesmos que encabeçaram a quebra da ordem constitucional em 1961.

Não quero retrocessos. ‪#‎Campanhalegalidade2016











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