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Plano de Ensino de Sociologia para os 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio

A equipe do Café com Sociologia preparou uma sugestão de plano de ensino que pode ser adaptada e utilizada por professores de Sociologia do Ensino Médio.

O documento aborda vários conteúdos sugeridos pelas orientações curriculares nacionais.


Acesse o documento aqui:  link

 



http://www.cafecomsociologia.com/

O carnaval como máscara e fantasia*


O carnaval como máscara e fantasia
Por Cristiano das Neves Bodart

Três coisas bem associadas: carnaval, máscara e fantasia. Na atual configuração sociocultural as três coisas me parece ainda mais inseparáveis. Mais que casadinho e queijo com goiabada.

A palavra máscara, tem duas origens. Vem do Latim “mascus” que significa fantasma; e do árabe “maskharah” que significa palhaço ou homem disfarçado. Já a palavra carnaval possivelmente vem do latim clássico “Carnen Leváre”, substantivo que significa "abstenção de carne". Seria uma alusão ao fato de que no carnaval seria os últimos dias para comer carne antes da quaresma, ou talvez significando a “despedida do corpo”, sendo os dias separados para satisfazer as necessidades carnais antes do período religioso. Fantasia tem sua origem do verbo Grego “Phaínein”, que significa “fazer aparecer”. É por meio da fantasia que faz-se notado. 

A máscara está associada a representação de um personagem criado para

Proposta de inclusão da disciplina Sociologia no Ensino Fundamental no Estado de São Paulo



O assessor parlamentar do professor doutor e deputado Carlos Giannazi entrou em contato buscando informar a existência de uma proposta de lei do referido legislador, bem como solicitar o apoio dos editores desse blog, de seus leitores e demais professores de Sociologia para discutir, aperfeiçoar e lutar pela aprovação desse Projeto de Lei (PL).

O PL do deputado é, em síntese, propor a inclusão obrigatoriamente da Sociologia no Ensino Fundamental em São Paulo.

Diversas pesquisas e relatos de experiências vem atestando que a Sociologia no Ensino Fundamental pode corroborar para uma formação mais completa do educando.
Indicamos a leitura desse textos: 

ROSSATO, Janine. A Sociologia no Ensino Fundamental em São Leopoldo/RS: a implantação e as percepções dos alunos sobre a disciplinaSeminário de Ciências Sociais e Educação Básica, Núcleo de Pesquisa em Ensino de Sociologia. 2015. 
FERREIRA, Fatima Ivone Oliveira Ferreira. CIÊNCIAS SOCIAIS COMO DISCIPLINA DO ENSINO FUNDAMENTAL: O MODELO DO COLÉGIO PEDRO II.  Seminário de Ciências Sociais e Educação Básica, Núcleo de Pesquisa em Ensino de Sociologia. 2015. 
KERN, Eduarda Bonora. POSSIBILIDADES CURRICULARES DA SOCIOLOGIA NO ENSINO FUNDAMENTAL: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE. Seminário de Ciências Sociais e Educação Básica, Núcleo de Pesquisa em Ensino de Sociologia. 2015.

Há um abaixo assinado em prol dessa causa. AQUI

PROJETO DE LEI Nº 15, DE 2016 
(Proposta do deputado Carlos Giannazi - PSOL)

Dispõe sobre a inclusão do estudo da Sociologia nas séries do Ensino Fundamental do currículo escolar.

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:

Art. 1º - O ensino de Sociologia fica incluído no currículo escolar das séries do ensino fundamental (6o ano ao 9o ano) do ensino fundamental das escolas públicas e privadas do Estado de São Paulo.
Art. 2º - O ensino de Sociologia será ministrado por professores com formação específica na área.
Art. 3º - Os sistemas de ensino terão 2 (dois) anos letivos para se adaptarem às exigências estabelecidas nesta lei.
Art. 4º - As despesas com a execução desta lei serão suportadas por verbas orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Art. 5º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICATIVA

O ensino da Sociologia no Brasil, nos níveis fundamental e médio, foi proposto pela primeira vez por Benjamin Constant, em 1890. Entretanto, com o falecimento do autor, não entrou em vigor. Em 1925, a disciplina Sociologia passou a fazer parte do currículo do ensino médio do Colégio Dom Pedro II (RJ); três anos depois, a disciplina entrou no currículo das Escolas Normais do Rio de Janeiro e de Recife. Em 1931, houve uma ampliação do ensino da Sociologia no nível médio. Em 1942, a reforma do ensino de Gustavo Capanema retira a obrigatoriedade do ensino da Sociologia nas escolas do curso médio, permanecendo somente nas Escolas Normais.A disciplina voltou a ser lecionada em 1961, no curso médio regular (Científico e Clássico), até o golpe de 1964. Em 1982, em plena crise do militarismo, o movimento social reivindica o ensino da Sociologia. O Congresso Nacional aprovou a Lei n.o 7.044 (18.10.1982), que altera a Lei n.o 5.692/71, abrindo oportunidades para serem introduzidas disciplinas optativas no ensino médio. Várias escolas públicas e privadas do país implantaram a disciplina de Sociologia e/ou Filosofia. Em 1997, foi apresentado um Projeto de Lei (PLC n.o 9/2000), para tornar obrigatória a Sociologia e a Filosofia no ensino médio, com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei n o 9.394, de 20/12/1996, que, no Art. 36, propõe que o aluno do ensino médio tenha domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia neces- sários ao exercício da cidadania.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) discute um Parecer que torna obrigatória as disciplinas de Sociologia e Filosofia. Caso aprovado, as disciplinas de Sociologia e Filosofia serão obrigatórias em todo o território nacional. A luta pela implan- tação do ensino de Sociologia e Filosofia tem como objetivo a melhoria do ensino do ensino fundamental, pois se considera que a Sociologia, em particular, conjuntamente com a Filosofia poderá contribuir para uma visão humanista e cidadã dos alunos, além de expandir a compreensão sobre a realidade na qual estamos inseridos.

POR QUE ENSINAR SOCIOLOGIA?

A sociologia sempre foi vista de modos contraditórios. Ora entendida como “revolucionária” ou “de esquerda” – uma ameaça à conservação dos regimes políticos estabelecidos –, ora como expressão do pensamento conservador e “técnica de controle social”, entendida como uma entre tantas formas estabelecidas pelos diversos Estados no seu afã de manterem a ordem estabelecida essa disciplina desenvolve o senso crítico em relação à sociedade e a autocrítica.

Ela instiga o jovem a questionar informações, pois desperta sua curiosidade; mostra o que é espaço público e o que é priva- do; possibilita a compreensão de como funcionam os grupos e a dinâmica de inclusão e exclusão; ensina a respeitar o diferente, a aceitar culturas e realidades distintas; afasta o estudante do senso comum, capacitando o a formar ideias de qualidade sobre o mundo e sobre a própria vida.

Os governos militares da América Latina sempre olharam enviesados para os sociólogos e suas pesquisas. O que a maioria não percebe é que as contradições podem ser explicadas pelo fato de a sociologia abranger uma grande quantidade de linhas teóricas e paradigmas, bem como pelo fato de ter sofrido influências ideológicas e de orientações políticas variadas. São dezenas de correntes teóricas muito diferentes e enfoques diversos sob uma mesma denominação científica que, por vezes, parecem até mesmo tratar-se de ciências distintas. E, de fato, não é difícil observarmos a influência da ciência social nos mais diversos campos do saber, especialmente nas chamadas ciências aplicadas.

O que, no entanto, não torna menos necessário um lugar próprio para o ensino de sociologia nas escolas. Ao contrário, sua importância cresce com as transformações que vivem os dias atuais. Se é imprescindível dominar a informática e todas as novas tecnologias para uma colocação qualificada no mer- cado de trabalho, também se faz necessário, no universo educacional, problematizar a vida do próprio aluno nesse mundo, sua existência real num mundo real, com suas implicações nos diversos campos da vida: ético-moral, sociopolítico, religioso, cultural e econômico. A volta das disciplinas humanísticas – filosofia, sociologia, antropologia, psicologia, entre outras – tem muito a contribuir com a formação do jovem naquilo que lhe é mais peculiar, desmistificando ideologias e apurando o pensamento crítico das novas gerações, poderemos continuar sonhando, e construindo, um país, não de iguais, mas justo para mulheres e homens que apenas querem viver.A sociologia tem a contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico, ao lado de outras disciplinas, pois promove o contato do aluno com sua realidade, bem como o confronto com realidades distantes e culturalmente diferentes vejam, lembramos das lições ensinadas pelos estudantes das escolas ocupadas no Estado de São Paulo em 2015.

Essa é a habilidade que se adquire por excelência com o estudo das ciências humanas e, em especial, com a filosofia e a sociologia. É da essência destes campos de conhecimento a tarefa de desenvolver o pensamento, sem nenhuma utilidade ou objetivo prático. A preocupação maior está em educar o olhar e processar tanto informações como saberes já produzidos.

Segundo o blog “Café com Sociologia”, feito por sociólogos e contando com mais de sete milhões de acessos (http://www.cafecomsociologia.com/2012/03/proposta-curricular-de-sociologia-para.html), ainda não há um consenso quanto um currículo com conteúdos mínimo na área de sociologia. Por conta disso e também pela escassez de publicações didáticas, os professores de sociologia acabam tendo que elaborar seu próprio material didático, seja elaborando uma apostila ou utilizando um apanhado de textos, assim como utilizando-se de vários livros didáticos, a construção dessas habilidades fornecem os elementos necessários para a formação de uma pessoa e de um profissional, seja em que área for, consciente de sua posição, potencialidades e capacidade de ação.

Hoje, o ensino da Sociologia, é obrigatório apenas para o Ensino Médio. Durante o período militar, as disciplinas de Socio- logia e Filosofia foram excluídas do currículo escolar, devido à censura. Depois, foram voltando gradativamente, até que em 2008, foi aprovada a lei no 11.684, que torna obrigatória sua prática para o Ensino Médio.

Porém, os especialistas garantem que a matéria é necessária já no ensino fundamental, onde atividades cognitivas, artísticas e culturais possam ser desenvolvidas e estimuladas. A Sociologia é importante para compreender como é possível existirem tantas pessoas diferentes, com perspectivas e vontades distintas e, mais, como elas conseguem conviver juntas no mesmo espaço.

A adolescência é um período de transformações físicas e psicológicas, onde surgem muitos questionamentos e conflitos; assim, a Sociologia poderá ajudar jovens e crianças, pois tem a oportunidade de avaliar os problemas pelos quais passam os jovens e suas famílias, discutindo-se temas de combate a todas as desigualdades e do exercício da cidadania. Não falar sobre as questões das diversidades propicia que os estudantes não se reconheçam no ambiente escolar. Isto favorece a evasão escolar, que é um dos grandes problemas da educação brasileira.

Entendemos que professores e estudantes devem ter o direito de aprender sobre a luta por direitos humanos, conversar sobre a diversidade humana, as questões de gênero, diversidade sexual e o enfrentamento ao racismo, para juntos fazer da escola um espaço acolhedor e sem violência, e a Sociologia, na sua plenitude, corrobora e consolida muito para essa construção.

Esse projeto de lei é uma iniciativa de vários professores de sociologia da rede Pública Estadual.

Assine a petição, compartilhe com pelo menos 5 amigos e divulgue!!!!
https://www.change.org/p/assembl%C3%A9ia-legislativa-do-estado-de-s%C3%A3o-paulo-inclus%C3%A3o-da-disciplina-sociologia-no-ensino-fundamental-no-estado-do-s%C3%A3o-paulo


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Infraestrutura e superestrutura em Marx


Infraestrutura e superestrutura em Marx
Por Cristiano das Neves Bodart

Há dois conceitos importantes para a compreensão de todo o pensamento de Karl Marx: infraestrutura e superestrutura.

Ao se dedicar em compreender a organização da sociedade capitalista e sua estrutura social, Marx percebeu que a sociedade estava dividida em infraestrutura e superestrutura. 

Para Marx, a infraestrutura trata-se das forças de produção, compostas pelo conjunto formado pela matéria-prima, pelos meios de produção e pelos próprios trabalhadores (onde se dá as relações de produção: empregados-empregados, patrões-empregados). Trata-se da base econômica da sociedade, onde se dão, segundo Marx, as relações de trabalho, estas marcadas pela exploração da força de trabalho no interior do processo de acumulação capitalista.

A superestrutura é fruto de estratégias dos grupos dominantes para a consolidação e perpetuação de seu domínio. Trata-se da estrutura jurídico-política e a estrutura ideológica (Estado, Religião, Artes, meios de comunicação, etc.).

Para essa consolidação e perpetuação da dominação das classes dominantes estes utilizam de estratégias que demandam ora uso da força, ora da ideologia (MARX, 1993). Um exemplo de um instrumento de uso da força é o Estado, o qual possui o uso da força legitimado pela ideologia. Para Marx, o Estado está sempre à serviço da classe dominante, buscando manter o status quo.

A ideologia é a tática de tornar certas ideias como verdadeiras e aceitas pela sociedade, sendo elas criada pela classe dominante de acordo com seus interesses. Como dizia Marx, 

“As ideias da classe dominante são, em cada época, as ideias dominantes; isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios de produção material dispõe também dos meios de produção espiritual, de modo que a ela estão submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais faltam os meios de produção espiritual. As ideias dominantes nada mais são que a expressão ideal das relações materiais dominantes, são as relações materiais dominantes apreendidas como ideias; portanto, são a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante, são as ideias de sua dominação” (MARX, 1993, p. 72). 

O uso da força, muitas vezes, deve ser justificada por ideias coletivamente aceitas; por esse motivo a classe dominante busca produzir e disseminar ideias que legitimem as ações do Estado em prol de seus interesses. Da mesma forma, a ideologia cumpriria o papel de justificar as relações de trabalho e a existência das desigualdades sociais, bem como da exploração do homem sobre o homem.

Para Karl Marx, 

“é evidente que eles o fazem em toda a sua extensão, portanto, entre outras coisas, que eles dominam também como pensadores, como produtores de ideias, que regulam a produção e distribuição das ideias de seu tempo; e, por conseguinte, que suas ideias são as ideias dominantes da época" (MARX, 1993, p. 72).

Nesse sentido, a superestrutura seria responsável pela manutenção das relações sociais existentes na infraestrutura e esta possibilita a sua existência, pois toda a riqueza necessária para manter a superestrutura seria, segundo Marx, produzida na infraestrutura por meio das nas relações de produção e de troca.



Referência

MARX, Karl. A ideologia alemã. 9ª ed. São Paulo: Hucitec, 1993.




Como citar esse texto:
BODART, Cristiano das Neves. Infraestrutura e superestrutura em Marx. Blog Cagé com Sociologia. com. Disponível em: linkdapostagemaqui. Acesso em: dia mês ano.




O significado de Raízes do Brasil, por Antonio Candido


Reproduzimos a seguir uma resenha elaborada por Antonio Candido e publicada na em 1995 como prefácio do livro de Sérgio Buarque, Raízes do Brasil (26ª ed.), publicado pela Companhia das Letras.


O significado de Raízes do Brasil, por Antônio Candido

Em meados do século XX, três livros levaram uma geração a refletir e se interessar pelo Brasil, obras que pareciam exprimir a mentalidade ligada ao “sopro” de radicalismo intelectual e análise social impulsionado após aRevolução de 1930.

A anticonvencional composição extremamente livre e franca de Casa Grande e Senzala, como no tratamento dado à vida sexual do patriarcalismo, e a importância decisiva atribuída ao escravo na formação do modo de ser do brasileiro causou forte impacto na época. Informações e dados que ensejavam noções e pontos de vistas inovadores no Brasil de então. Entretanto, a preocupação do autor com problemas de fundo biológico (raça, aspectos sexuais da vida familiar, equilíbrio ecológico alimentação) dialogava com o naturalismo dos velhos intérpretes da nossa sociedade, como Sílvio Romero, Euclides da Cunha e Oliveira Vianna.

Três anos depois aparecia Raízes do Brasil. Livro curto, de poucas citações, mas que, entre outras influências, fornecia indicações importantes para compreenderem o sentido de certas posições políticas daquele momento, em que se se buscava soluções novas, fosse à direita, no integralismo, fosse à esquerda, no socialismo e no comunismo.

Seis anos depois do livro de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. lançava Formação do Brasil Contemporâneo. Interpretação do passado em função das realidades básicas da produção, da distribuição e do consumo. Nele, o autor afasta-se do ensaísmo (marcante nos outros dois livros), prioriza dados e argumentos em detrimento de categorias qualitativas como “feudalismo” ou “família patriarcal”. O materialismo histórico aparecia como forma de captação e ordenação do real, desligado do compromisso partidário ou desígnio prático imediatista.

No pensamento latino-americano, a reflexão sobre a realidade social foi marcada pelo senso dos contrastes e mesmo dos contrários – apresentados como condições antagônicas em função das quais se ordena a história dos homens e das instituições. “Civilização e barbárie” formam o arcabouço do Facundo e de Os Sertões. O pensamento do autor não foge a esse modelo, se constitui pela abordagem dialética de conceitos polares, não como se eles fossem mutuamente excludentes. A visão de um determinado aspecto da realidade histórica é obtida pelo enfoque simultâneo dos dois; um suscita o outro. Sérgio Buarque aproveita o critério tipológico deMax Weber ao focar pares de tipos ao invés de pluralidades de tipos, para trata-los de maneira dinâmica e ressaltar a interação dentro do processo histórico. Com este instrumento, o autor analisa os fundamentos do nosso destino histórico e suas diversas manifestações: trabalho e aventura, método e capricho, rural e urbano, burocracia e caudilhismo, norma impessoal e impulso afetivo – são pares destacados na estrutura social e política pelos quais é possível analisar e compreender o Brasil e os brasileiros.

Em “Fronteiras da Europa”, o primeiro capítulo, Espanha e Portugal são o ponto de partida para tratar, por exemplo, das diversas formas de colonização da América, e de pontos que serão desenvolvidos ao longo da obra, como o tradicional personalismo e a consequente frouxidão das instituições e baixa coesão social.

A ausência do princípio de hierarquia e a exaltação do prestígio pessoal que implica em privilégio seria outra característica ibérica de grande impacto na colônia. Isso fez com que a nobreza permanecesse aberta ao mérito e ao êxito, o que favoreceu a mania de fidalguia, ou seja, a repulsa ao trabalho regular e às atividades utilitárias, de que decorre a falta de organização. O ibérico não renuncia às veleidades em benefício do grupo ou dos princípios. Aos preteridos de tal privilégio, cabe a obediência cega: “A vontade de mandar e a disposição para cumprir ordens são-lhes igualmente peculiares [aos ibéricos]” (p. 39). A escravidão matou de uma vez a necessidade no homem livre de cooperar e organizar-se.

No capítulo seguinte, “Trabalho & aventura”, está a tipologia básica do livro, a distinção entre o trabalhador e o aventureiro e suas éticas opostas: a que busca novas experiências, acomoda-se no provisório e prefere descobrir a consolidar; e a que estima a segurança, o esforço e a compensação a longo prazo. O continente americano foi colonizado por homens mais próximos do primeiro tipo, o que foi positivo para o Brasil, pois o português manifestou uma adaptabilidade excepcional, ainda que “com desleixo e certo abandono”. Dada a diversidade reinante, o espírito de aventura foi o “elemento orquestrador por excelência” (p. 46). Assim, a lavoura de cana foi mais um aproveitamento de espaço do que ação de uma civilização agrícola.

“Herança rural” é o próximo capítulo que analisa o impacto da vida rural na sociedade brasileira, e suas diferenças em relação à mentalidade urbana.

A agricultura acompanhou a escravidão em seu declínio, promovido por políticos e intelectuais de família fazendeira. O capital ocioso migrou para as cidades, promovendo progresso social e investimento técnico. Isso não refletiu em um desenvolvimento coeso em função da “radical incompatibilidade entre as formas de vida copiadas de ações socialmente mais avançadas, de um lado e o patriarcalismo e personalismo fixados entre nós por uma tradição de origens seculares” (p. 79).

“O semeador e o ladrilhador” é o quarto capítulo. A cidade é entendida como instrumento de dominação já a partir de sua concepção. Ladrilhador refere-se ao espanhol, que vê a cidade como empresa da razão, como as que fundou aqui, planejadas rigorosamente e contrárias à ordem natural; como se correspondessem a um prolongamento da metrópole. Os portugueses, agarrados ao litoral, foram “semeadores” de uma cidade irregular, cuja “silhueta se enlaça na linha da paisagem” (p. 110). O aparente desleixo corresponde a uma prudência condicionada por um realismo não imaginativo ou regido por regra, fruto de um desejo pela fortuna e ascensão social rápida que coíbe a formação de uma mentalidade específica, como em outros países.

O capítulo “Homem cordial” apresenta características do brasileiro resultantes do que foi tratado anteriormente. As “relações de simpatia” reinam, ou seja, as relações impessoais, características do Estado, são suscetíveis de serem levadas para o padrão pessoal e afetivo. Isso impede a formação de uma sociedade urbana moderna. O “homem cordial” pressupõe, de fato, o predomínio do comportamento de aparência afetiva, não necessariamente sincera.

O capítulo 6, “Novos tempos”, analisa o choque nos velhos padrões coloniais causado pela vinda da família real.

A sociabilidade é aparente, uma vez que não se impõe ao indivíduo, tampouco contribui para a estruturação de uma ordem coletiva. Encontra séria barreira na individualidade que emerge na relutância perante a lei que o contraria. A isso também está ligada a satisfação no saber aparente, cujo fim está em si mesmo e, por isso, deixa de ser aplicado em um objetivo concreto. A mudança de atividade torna-se constante, por buscar a satisfação pessoal. As profissões liberais se aproximam dessas características, tanto por permitirem a manifestação individual quanto por prestarem-se ao saber de fachada. É a opção dos membros da classe dominante em função da crise das velhas instituições agrárias, por prescindirem do trabalho direto sobre as coisas, que lembra a condição servil.

A força adquirida pelo positivismo também pode estar relacionada a esse contexto. Uma confiança consistente às ideias, mesmo quando inaplicáveis, ajuda a entender o liberalismo que, no Brasil, se constituía como uma oposição à autoridade incômoda. Da mesma forma, tratou-se de importar a democracia e acomodá-la aos privilégios aristocráticos, sendo que, em outros países, elas eram conflitantes.

O capítulo 7, “Nossa revolução”, mais compacto, sugere que a dissolução da ordem tradicional ocasiona contradições não resolvidas na estrutura social, que surtirão efeitos nas instituições e ideias políticas. A passagem do rural para o urbano representa a passagem da tradição ibérica, baseada em instituições agrárias, para um modo vida próprio, americano. Está ligada a esse momento a passagem da exploração da cana de açúcar, como produto principal de exportação, para o café. Os modelos políticos do passado se adaptam aos novos tempos. Isso é possível através da combinação não harmoniosa entre leis formalmente perfeitas e uma organização administrativa ideal com o mais extremo personalismo. A Abolição tornou inviável a velha sociedade agrária, o que foi o início da “nossa revolução”. Trata-se de superar o passado, adotar o ritmo urbano e propiciar, ao mesmo tempo, a ruptura do predomínio das oligarquias e a emergência das camadas oprimidas da população, únicas com capacidade para revitalizar a sociedade, tornando viável uma vida democrática no Brasil. Contra essa tendência, poderia surgir uma resistência saudosa do antigo modelo, que, de acordo com a intensidade de sua força, poderia se traduzir em formas que comprometam as esperanças de qualquer transformação profunda. O caudilhismo, expressão maior do personalismo que intervém no processo democrático, é um exemplo dessa resistência. A repulsa pela hierarquia e a relativa ausência dos preconceitos de raça e cor são elementos que permitem a convergência rumo à democracia.

Raízes do Brasil escapa ao dogmatismo e abre o campo para a meditação dialética. O autor baseou sua análise na psicologia e na história social, com um senso agudo de estruturas, vinculando dessa forma o conhecimento do passado aos problemas atuais. Propôs que a liquidação das raízes era um imperativo para o desenvolvimento histórico. Perder as características ibéricas era o caminho para a evolução moderna brasileira, cuja trajetória não incluiu um louvor ao autoritarismo, como solução para sua organização. Sérgio Buarque afirmou, em 1936, estar na fase aguda da decomposição da sociedade tradicional. Em 1937 veio o golpe de Estado e o advento da fórmula rígida e conciliatória, que encaminhou a transformação das estruturas econômicas pela industrialização. Era o primeiro passo para a modernização.



Bibliografia:

CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.





RESENHA DO FILME: CIDADE DO SILÊNCIO


RESENHA DO FILME: CIDADE DO SILÊNCIO

Por Edinei Pereira*

Um filme que instiga, provoca e atordoa. Cidade do silêncio, dirigido e produzido por Greogry Nava no ano de 2007, com duração de 1:52:17 (uma hora, cinquenta e dois minutos e dezessete segundos). É baseado em fatos reais, e se passa numa pequena cidadezinha do México, na fronteira com os Estados Unidos. Portanto, uma região marcada pelo grande número de indústrias, resultado do acordo de livre comércio, -leia-se NAFTA. Caracteriza-se por ser um drama que tem como pano de fundo a violência contra as mulheres. O que configura como sendo um tema atualíssimo, que engloba outros tantos pontos importantes passíveis de serem observados, tal qual: corrupção, imigração, exploração, política, mídia, feminicídio, trabalho, xenofobia etc. Por isso, seria reducionista demais uma análise linear, uniforme e estanque, diante da magnitude desta obra prima cinematográfica.

O roteiro é ambientado, principalmente nas ruas, fábricas e locais ermos, denotando os aspectos sombrios e assustadores. Traz no seu elenco Jennifer Lopez (Lauren Adrian), Antonio Bandeiras (Alfonso Diaz), Sônia Braga (Teresa Casillas), Martin Sheen (George Morgan) e Maya Zapata (Eva Jimenez).

O filme Cidade do Silêncio se passa no México, sendo baseado em fatos reais. Mas caso não fosse, não tiraria sua autenticidade, tamanha importância do tema; principalmente para o contexto atual, onde alguns países, pessoas e instituições, paulatinamente passam a dar voz, mesmo que de forma bem tímida, às mulheres. Não é de se entranhar que isso venha a incomodar os conservadores e machistas de plantão, que assim como os assassinos mostrados no filme, também buscam silenciar toda e qualquer manifestação do mundo feminino. Michelle Perrot, uma grande historiadora e especialista no tema, coloca que:

O infanticídio das meninas é uma prática muito antiga, que perdura maciçamente na Índia e principalmente na China, por causa da limitação a um único filho: elimina-se as filhas...até que se tenha um filho […] (PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. 2007. p.42).

Fazendo uma relação deste trecho com o filme, percebe-se que ao longo do processo histórico, mudaram-se as formas de amordaçar, reprimir e assassinar. Mas o fato é que a barbárie ainda persiste. Embora os mecanismos de torturas se aperfeiçoem e se reinvente, tal qual a lógica do sistema capitalista. E a filmografia aqui exposta nos mostra isso de forma magnânima. 

Já no início, o telespectador é colocado a fazer algumas reflexões, embora a tônica do drama gire, também, em torno de uma jornalista -Jennifer Lopez (Lauren Adrian), que é enviada a uma cidade para investigar os estupros e assassinatos em série de mulheres. Diante disto, é imprescindível que primeiramente seja assimilado o pacto imposto pelos países imperialistas- leia-se –Estados Unidos- a fim de extrair dali seus produtos. E assim começa o filme:

Como resultado do tratado do livre comércio, empresas do mundo todo montaram no México e ao longo da fronteira dos Estados Unidos, com mão de obra barata e isenção de impostos, produtos a baixo custo..., nas fábricas de Ruarez, um televisor é fabricado a cada 3 segundos...as fabricas contratam mulheres jovens que aceitam salários menores […]

Além disso, há uma vital necessidade de um diálogo, ou seja, um reforço referencial. Então, Michelle Perrot, em sua obra Minha História das Mulheres, traz alguns questionamentos, como o fato de romper com o silêncio, uma vez que ao longo do processo histórico essas- as mulheres- são esquecidas pelos grandes acontecimentos. Ou podemos colocar que os grandes acontecimentos incumbiram-se de silenciar as mulheres? De forma metafórica, ao longo de todo o filme, as imagens por se só falam. Podemos aqui descrever a cena em que Jennifer Lopez (Lauren Adrian) procura Antonio Bandeiras (Alfonso Diaz), com o qual deseja trabalhar, pois o mesmo conhece a região na qual pretende fazer sua matéria, e chegando ao local, logo questiona o porquê de algumas mulheres ali, cavando de forma desesperada, e a resposta é que se elas não o fizer, ninguém mais o fará (a cena se passa num lugar distante da cidade, onde os assassinos enterravam suas vítimas). Mostrando com isso que o Estado, no papel da polícia e dos políticos, estavam embrenhados num jogo de interesse meramente capitalista. E o fato das vítimas serem enterradas, remete à ideia da memória, ou seja, a violência evidencia-se não somente num viés físico, mas psicológico e moral, pois a polícia afirma com veemência “isso não foi um crime, foi uma violência doméstica, portanto, um fato isolado”. 

Maya Zapata (Eva Jimenez) tem um papel de destaque na trama, não somente pelo desempenho do seu personagem, mas a simbologia que carrega suas falas e a classe social da qual pertence. Ela, dessa forma, representa um pouco de todas as mulheres operárias, de uma classe baixa e marginalizada pela sociedade. Quando a mesma sofre a violência sexual, é amparada por Lauren Adrian (Jennifer Lopez), mostrando com isso o total descompromisso do poder público para com as pessoas –leia-se operárias, mulheres e pobres-. 

Um ponto marcante do filme, se não o cerne, talvez uma das chaves para a compreensão do drama, se da no momento em que Lauren Adrian (Jennifer Lopez) percorre os becos escuros e sombrios em que Eva Jimenez (Maya Zapata) fora violentada, e chegando num determinado lugar, começam a conversar sobre suas vidas, então, a segunda explica os motivos que a levou a migrar do campo para a cidade a procura de emprego nas indústrias, foi o fato de sua família ter sido expulsa de suas terras. E a primeira expõe, também, o fato de estar naquele local. Embora o enredo se dê num contexto de forte violência física, percebe-se com tal diálogo, que há nos fatos vividos, por ambas, um forte interesse do sistema capitalista em torna-las, assim como as demais pessoas, totais dependentes e apêndices de seu projeto voraz. Além do mais, pode-se contextualizar a expulsão da personagem e seus familiares do lugar onde moravam, com a lei do cercamento ocorrido no século XVIII, quando os servos foram obrigados a migrarem para os centros urbanos e trabalharem nas indústrias. 

O silêncio se estende para todos os lados, fosse defensor ou contraditor de um projeto do sistema imperialista. O personagem de Antonio Bandeiras (Alfonso Diaz), que já fora colega de Lauren Adrian (Jennifer Lopez), faz publicações em série dos vários assassinatos, até que certo dia, também, é assassinado. A cena deste homicídio vem logo após outra cena onde Lauren Adrian conversa com seu chefe, e este a proíbe de publicar a matéria que havia feito, uma vez que isso romperia com relacionamentos entre os dois países, deixando evidente com isto que o interesse do Jornal era único e exclusivamente comercial. 

O local onde moravam os operários, como já fora citado anteriormente, era ermo, sombrio e com moradias predominantemente de madeiras (barracos). No filme o diretor mostra os mesmos sendo queimados, uma cena que se passa bem no final. E o que podemos refletir a partir de trecho, é que, tanto na cidade de Ruaréz, como no nordeste do Brasil, assim, também, como os moradores e trabalhadores da Revolução Industrial (século XVIII), retiram as pessoas de suas cidades de origem, marginalizado-os. Os que rompem com esse ciclo não são parte da regra, e sim da exceção. Enfim, é assim que Greogry Nava traz à tona temas que evidencia as barbáries de um sistema que busca incessantemente o lucro, nem que para isso vidas sejam ceifadas a todo momento. 

A narrativa final se passa quando Eva reencontra sua mãe, após ter processado seu violentador, e este por sua vez ainda espera por julgamento. Assim como os assassinos de Alfonso Diaz nem sequer são encontrados para julgamento, o que fica claro que o judiciário é posto nesta filmografia como sendo moroso e capacho de interesses escusos e imperialistas. Cabendo a Lauren Adrian a continuar com o Jornal de seu amigo. Porém, os assassinatos ainda persistem, como a descrição feita por Lauren, de mais uma vítima: “outro corpo foi encontrado no deserto, uma garota de uns dezessete anos, ela ainda está vestida com o avental azul da fábrica...”. 

Embora o mundo busque dar voz aos vários movimentos que lutam por igualdade, justiça, democracia, e, inclusive, o direito às mulheres, é vital que tenhamos consciência dos fatos históricos e que a luta segue. A conquista, ou a não conquista, não representa o fim de um ciclo. Assim fez Lauren Adrian (Jennifer Lopez) ao prosseguir com o jornal que investigava os assassinatos em série. A cidade ao qual o nome do filme se refere pode muito bem ser subentendida como sendo o mundo, pois as várias formas de opressões –físico, psicológica e moral-, é universal, apresentando-se de diferentes formas e combatidas de diferentes maneiras, mas que ainda persiste. E o silêncio aos poucos ganha voz, mesmo que concomitantemente a isto outra corrente busque incessantemente sufocá-la. Mas como disse Michelle de Perrot,  “nesse silêncio profundo, é claro que as mulheres não estão sozinhas”.




*Graduado em Ciências Sociais pela Fundação Santo André-SP. Cursando especialização em História, sociedade e cultura. Professor de Sociologia no Ensino Médio na rede estadual de São Paulo.













Alienação em Marx

Alienação em Marx

 Por Cristiano das Neves Bodart

A partir do conceito de alienação Karl Marx propôs a tese é de que o homem, no contexto do Capitalismo, se aliena em relação ao fruto de seu trabalho e a sua própria essência e espécie.

Marx desenvolveu o conceito de “alienação” em sua obra “Manuscritos Econômico-filosóficos” ou “Manuscritos de Paris” (1844), obra que embora escrito ainda em sua “juventude”, só veio a ser conhecida por um público maior em 1932. Nas palavras de Sell (2013, p. 48), para Marx

“A alienação significa que a ‘exteriorização’ e objetivação dos bens sociais que resultam do processo de trabalho tornaram-se autônomos e independentes do homem, apresentando-se como realidades ‘estranhas’ e opostas a ele, como um ser alheio que o domina”.

Na explicação de Marx, o trabalho, que em sua essência diferencia o homem dos animais, o possibilitando tornar-se um ser cultural, capaz de dominar a natureza, no Capitalismo, o subjuga e o deforma. O trabalho que deveria ser uma ação de realização pessoal, de criação e recriação de si mesmo em relação ao seu produto criado, sob o sistema econômico capitalista, o aliena. “O trabalho inverte o papel e, de meio para realização do indivíduo como ser humano, passa a negar e a impedir o desenvolvimento de sua natureza” (SELL, 2013, p.48). Embora não tivesse sido objeto de discussão em Marx, seguindo sua lógica, podemos afirmar que por esse motivo vemos tantas pessoas escravas do trabalho e doentes por conta dele. Certamente nunca tivemos tantas pessoas com esgotamento mental, com problemas emocionais e psíquicos como agora.

A alienação também atinge o homem em relação com os demais homens. As relações passam a ser mediadas e controladas pelo capital. Cada homem, sob a lógica do capital, possui um valor diretamente relacionado a sua capacidade de ampliar o capital. A partir dessas premissas, podemos nos remeter as expressões como “quanto vale o jogador Neymar?” O seu valor, sob a lógica de Marx, seria calculado a partir do seu potencial de gerar condições para a reprodução do capital. No mundo capitalista, todos temos um preço e as relações sociais são fortemente influenciadas por quanto valemos, ou melhor, por quanto podemos gerar de capital.

Como a indústria foi na época de Marx (e ainda é em grande parte do mundo) o setor mais produtivo de capital, o capitalismo para desenvolver-se criou mecanismos para que o valor dos homens que atuam nas fábricas não fosse elevado e, com isso, ampliar o lucro e concentrar o capital nas mãos de poucos (da burguesia). Nesse sentido, o capitalismo ao tornar a produção especializada (por meio da divisão de tarefas), fez com que um trabalhador individualmente não tenha muito valor em relação ao que produz. Como o trabalhador fabril não consegue mensurar sua capacidade produtiva, devido a especialização do trabalho, este ao estar alienado não consegue vender sua mão de obra por valores mais altos.

Para Marx,

“[...] à primeira vista, a mercadoria parece ser coisa trivial, imediatamente compreensível. Analisando-a, vê-se que ela é algo muito estranho, cheia de sutilezas metafísicas e argúcias teológicas” (MARX, 1994, p.79).

A especialização aliena o trabalhador em relação do produto, o que desencadeia o que mais tarde Marx chamou de “Fetichismo da Mercadoria”. Além da alienação em relação ao produto, o torna alienado em relação ao poder que antes detinha sobre o processo produtivo, o que reduz suas condições de negociar melhores salários.

Em síntese, a alienação do homem se dá, no contexto capitalista, em relação ao seu próprio trabalho, em relação ao processo de produção, em relação a natureza humana e em relação a sua própria espécie.

Na lógica do capital há, para Marx, uma inversão no sentidos das relações sociais: o homem passa a ser objeto e o objeto a ser sujeito. O que temos, desta forma, é uma mercantilização da vida e das relações sociais, estando o homem a dominado pela produção.


Referências

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. 6 vol. Rio de Janeiro: Bertrand Brasi, 1994, 6 vols.

SELL, Carlos Eduardo. Sociologia clássica: Marx, Durkheim e Weber. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2013.


Como citar esse texto:
BODART, Cristiano das Neves. Alienação em Marx. Blog Café com Sociologia. 2016. Disponível em: coloqueolinkaqui. Acessado em: dia mês ano.


Como encerrar as atividades de ensino com chave de ouro


Por Roniel Sampaio Silva

O ano ou semestre letivo trazem uma série de cegueiras tanto para professor quanto para o estudante. A maioria dos conflitos estudante-docente é oriunda destas cegueiras que dificultam o crescimento profissional de todos os envolvidos no processo.

Pensando nisso, tive a experiência de aplicar uma avaliação em cada turma que leciono para que eu e os alunos pudéssemos enxergar-nos como agentes dentro do processo de ensino-aprendizagem. Visualizar as árvores e o bosque ao mesmo tempo e, eventualmente, perceber que há distorções na forma como nos vemos e a forma como vemos o contexto que ajudamos a compor.

A atividade teve como objetivo: problematizar a auto-percepção dos agentes sobre suas atuações e dos demais em sala de aula.

Na ocasião, compartilho os procedimentos da experiência.

Escreva no quadro a seguinte tabela:

Positivos
Negativos
Professor


Turma


Aluno



Pergunte a cada aluno os aspectos positivos e negativos de cada um dos itens acima. Deixe claro sua maturidade em receber críticas. Exija que os alunos sejam sinceros e procure criar um clima “leve” ou descontraído para o momento.

Faça a entrevista individualmente e anote os pontos negativos de cada item numa folha de papel, a qual apenas você tenha acesso inicialmente.

Ao final das entrevistas individuais, faça comentários sobre a sua atuação como professor e problematize as respostas dadas pelos alunos.
   
Esteja atento para problematizar a repetição das respostas e sua coerência com entre si. Por exemplo, pode acontecer da maioria dos alunos definirem seu ponto positivo como “interessado” e definir o ponto negativo da turma como “desinteressada”.

Como é possível que vocês, individualmente, definam-se como interessados e quando visualizem a turma como um todo, enxerguem como desinteressados? Os alunos não fazem parte da turma?

Registre as respostas e aponte caminhos para que os alunos melhorem seu desempenho em sala e procure estabelecer estratégias para contornar seus pontos negativos como professor. Tal atividade tem proporcionado atividades de ensino mais proveitosa na medida em que os pontos negativos são superados.

Smartphones: Herói ou Vilão?


Smartphones: Herói ou Vilão?

Por Aline Jessica M.de Queiróz Roque*

Sabemos que hoje em dia existe um companheiro que toma um espaço de tempo imensurável em nossas vidas, o chamado smartphone. Ele é inseparável, indissociável e, muitas vezes, responsável por ser aliado ou substituto dos antigos relacionamentos convencionais. Os smartphones tornaram-se, há pouco tempo atrás, uma novidade para as pessoas, trazendo consigo a antiga função de telefone atrelado à outras funções, como câmeras e acesso a internet. 

Ao reportarmos historicamente quanto aos recursos criados para sociabilidades veremos a chegada do aparelho telefônico que, em primeira instancia, sua função era apenas de transações comerciais no “mundo dos negócios”. Porém, a facilidade desse tipo de comunicação prosperou levando o telefone para dentro das casas: “Neste âmbito, passou a ser usado para fins de sociabilidade e manutenção de relacionamentos interpessoais.” (NICOLACI-DA-COSTA, 2005 p.53).

Há aproximadamente uma década a rede mundial que interliga computadores passou tanto a ser um meio importante de relações de trabalho quanto de relações sociais informais. O abandono gradativo do telefone fixo e a ampliação do uso de celulares notamos a união de ferramentas de comunicação com a de entretenimento. Isso, e outros fatores, fizeram com que seu uso passasse de eventual para constante.

A comunicação por meio de signos verbais e não verbais sempre foi um recuso utilizado pelo ser humano em suas comunicações. O falar face a face remete uma interação entre locutor e interlocutor, entretanto, mesmo este “ritual” ainda existindo, os aparelhos celulares, tablet´s e smartphones tornaram um meio de comunicação virtual que viabilizam os relacionamentos interpessoais mesmo a distancia. Entretanto surge a questão: e quando estes tipos de relacionamentos se tornam tão vigentes que, muitas vezes, substituem os antigos rituais conversacionais de comunicação?

A internet conectada aos computadores, smartphones e tablet’s vem promovendo a substituição, de certo modo, dos relacionamentos mais próximos, que exigiam uma maior interação face a face, pelos relacionamentos online. Se formos levar esta crítica ao nível mais profundo, diria, de acordo com o pensamento de Zygmunt Bauman (2004, p. 14), que os novos relacionamentos se tornaram mais frios e “descartáveis”, portanto de maneira mais simples de serem ignorados e desfeitos.

Em um artigo publicado em 2005, Ana Maria Nicolaci-da-Costa, pesquisadora do departamento de Psicologia da PUC do Rio de Janeiro, trava uma discussão com os temas apontados por Zygmunt Bauman. Lá a pesquisadora critica a tese do sociólogo afirmando que sua ideia em relação aos relacionamentos virtuais são radicais e não necessitam ser levados em âmbitos gerais. De certa forma, Bauman exagera em alguns argumentos. De acordo com ela, ele enfatizou de uma forma apocalíptica o fato dos relacionamentos virtuais serem padrões para os não virtuais.

Levando por sua lógica, Nicolaci-da-Costa (2005) não deixa de ter razão. Pois a internet, como ela surgiu, dentre outras funções, substitui os relacionamentos via telefone, isto é “inaugurou uma era em que contatos interpessoais podiam ser travados virtualmente” (p.53). Isso evidencia, em sua ideia, que a internet apenas auxilia pessoas distantes a se conhecerem e relacionarem.

Com evidencia nos celulares, a pesquisadora também defende a antítese ao pensamento de Bauman mostrando que os celulares é apenas uma forma modernizada do antigo aparelho telefônico e a junção da internet+celular se configura num suporte moderno de manutenção dos relacionamentos. Sendo assim, conclui seu pensamento desmistificando a visão catastrófica do sociólogo, afirmando que os relacionamentos virtuais antes de tudo, começaram fora de tal ambiente: “uma mensagem é uma confirmação de pertencimento a um grupo [...] o que levava à solidificação e intensificação de seus relacionamentos.” (idem).

Este breve texto expôs divergentes opiniões de autores renomados, entretanto, a visão dos aparelhos smartphones e tablet´s serem vilões ou não, podem ir muito além destas considerações. Como toda tecnologia criada pela inteligência humana, estes aparelhos surgiram de necessidades variadas e com intenção de alcance global. Como futura socióloga e pesquisadora, vejo grande importância em medir o comportamento dos indivíduos em âmbito coletivo, pois é através disso que percebemos o devir de uma nova sociedade e as necessidades de intervenções positivas para a manutenção de nossa sobrevivência. Os diagnósticos sociais são importantes para medirmos o que a sociedade em que nós vivemos precisa para se desenvolver positivamente. 

A existência do smartphone como suporte de trabalho e relacionamentos pode ser de grande ajuda no decorrer dos processos sociais. Entretanto, o que cabe a cada possuidor é sua sobriedade. Todos nós precisamos interagir comunicar ou dialogar e a distancia não é mais um empecilho, porém o “aqui agora” (BENJAMIN,1955, p. 15); isto é, o que pode ser um momento único das interações sociais vale apena ser preservado, afinal um gesto, um olhar também expressa tão bem, ou mais do que uma simples frase escrita pode dizer.



Referências 

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 2004.

BENJAMIN, W. A Obra de arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica (Org. e Prefácio –Márcio Seligmann-Silva), Tradução: Gabriel Valladão Silva, 1ª Edição, Porto Alegre, RS: L&PM, 201

Nicolaci-da-Costa, A.M. “Sociabilidade virtual: separando o joio do trigo” In Revista Psicologia & Sociedade; 17 (2): 50-57; mai/ago.2005. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/psoc/v17n2/27044.pdf. Acesso em Janeiro de 2016.




Acadêmica do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Rondônia



Como citar esse texto:
QUEIRÓZ, Aline Jessica M.de. Smartphones: Herói ou Vilão? Blog Café com Sociologia. 2016. Dipsonível em: linkaqui. Acesso em: dia mês ano.



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